10 outubro, 2012

Tomate - Doenças - Talo-oco e podridão mole dos frutos (Erwinia spp.)

Essas doenças são causadas principalmente por Erwinia carotovora subsp. Carotovora e por E. chrysanthemi. Esta última ocorre em locais com temperaturas mais elevadas. Essas bactérias são as responsáveis pelas podridões em tomate (Figura 1) e penetram pelos ferimentos, daí a importância de controlar os insetos que provocam furos nos frutos. Podem se tornar problema de importância econômica em períodos de temperatura e umidade elevadas.

Figura 1: Frutos apodrecidos atacados por Erwinia spp.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Doenças - Murcha-bacteriana (Ralstonia solanacearum)

Associada a solos muito encharcados e à alta temperatura, esta doença é mais problemática no verão e em regiões de clima mais quente. A bactéria pode permanecer por vários anos no solo. Ocorre a murcha da planta (Figura 1), de cima para baixo, a partir do início da floração, mas as folhas permanecem verdes. A parte inferior do caule se torna amarronzada e ocorre a exsudação de um pus bacteriano quando se faz o "teste-do-copo", que consiste em colocar um pedaço de caule da planta suspeita em um copo com água: em caso positivo, observa-se a exsudação de um pus bacteriano na água.

Figura 1: Plantas murchas, sintoma de murcha-bacteriana.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Doenças - Pinta- bacteriana (Pseudomonas syringae pv. tomato)

Também conhecida por mancha-bacteriana pequena ou pústula-bacteriana, é muito freqüente em condições de temperaturas amenas (18 a 24 °C) e alta umidade. Ataca toda a parte aérea da plantas. É primeiramente observada nas folhas baixeiras, na forma de pequenas manchas necróticas de coloração marrom, normalmente circundadas por um halo amarelo. Os sintomas são mais característicos nos frutos, com a formação de pontuações negras, superficiais, que podem ser arrancadas com a unha (Figura 1). O ataque durante a floração pode provocar intensa queda de flores.

Figura 1: Pinta-bacteriana (esq.); mancha-bacteriana no fruto (dir.).

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Doenças - Mancha-bacteriana (Xanthomonas campestris pv. vesicatoria)

Esta doença é favorecida por temperaturas mais altas (20 a 30 °C). Apresenta sintomas foliares bastante semelhantes aos da pinta-bacteriana (Figura 1). Nos frutos, porém, as lesões são maiores, mais claras e mais profundas que as da pinta-bacteriana (Figura 2). Também provoca queda de flores quando o ataque ocorre por ocasião do florescimento.

Figura 1: Mancha-bacteriana: lesões grandes nos frutos e queima nas folhas.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Frente fria deve provocar chuva forte em parte de MT nesta quarta

Nesta quarta-feira (10), uma frente fria que atua no Sul do país deixa o dia chuvoso no Oeste e Sul de Mato Grosso. Nestas áreas pode chover e ventar fortemente, conforme aponta o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe).

Segundo o Inpe, a temperatura estará em declínio pela metade Sul do Brasil e, na quinta-feira (11), o declínio ocorrerá sobre Mato Grosso. O órgão aponta ainda que no Leste do estado a umidade relativa do ar ficará abaixo dos 30%.

No Norte do estado a temperatura máxima deve chegar a 42°C. Em Campos de Júlio, os termômetros ficam entre os 20°C e 31°C. Em Itaúba deve fazer até 33°C e pode chegar a 34°C em Cuiabá. Em Nova Maringá, o dia deve começar com 22°C e a tarde pode fazer até 35°C.

Fonte: AGROLINK (http://www.agrolink.com.br)

Tomate - Doenças - Cancro-bacteriano (Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis)

É pouco frequente em tomateiro rasteiro, comparativamente ao tomateiro envarado, certamente em função do menor manuseio. Os sintomas de infecção sistêmica são a descoloração vascular e a murcha total ou parcial das plantas, resultando na queima dos bordos dos folíolos. A infecção localizada caracteriza-se por pequenos cancros cor de palha (Figura 1), facilmente observáveis nos pedúnculos, e manchas do tipo olho-de-perdiz nos frutos (Figura 2).

Figura 1: Mancha nas bordas do folíolo, sintoma de cancro bacteriano.
Figura 2: Necrose tipo olho-de-perdiz, sintoma de cancro bacteriano.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Plantio

Atualmente, quase todas as áreas cultivadas com tomateiro destinado ao processamento industrial são plantadas com mudas produzidas em bandejas e transplantadas com auxílio de máquinas ou até mesmo manualmente, dispensando-se o uso de canteiros.

Para esse sistema, utiliza-se primeiramente um equipamento distribuidor de fertilizante dotado de sulcadores, distribuídos com espaçamento correspondente ao do sistema de distribuição de mudas da transplantadeira mecânica. No ato da distribuição do fertilizante, promove-se, então, o sulcamento e a fertilização, aplicando-se o fertilizante imediatamente atrás do sulcador.

Na operação de transplante, o sistema de distribuição de mudas dispõe de um sulcador que é regulado para coincidir com a linha anteriormente fertilizada, visando promover a incorporação do fertilizante no solo e evitar o contato direto das raízes das mudas com o fertilizante.

Métodos de plantio

O sistema de transplante tem como vantagens: menor gasto de sementes; menor tempo de permanência da planta no campo; redução das despesas com irrigações e pulverizações; e redução dos níveis de infecção precoce por Geminivírus e Tospovírus (ver capítulo de doenças). Em razão do alto custo do transplante manual – que é muito trabalhoso e demorado, exigindo de oito a dez dias-homens/ha –, este sistema somente se viabilizou com a introdução das máquinas transplantadeiras (Figura 1). Entretanto, a produção de mudas tem de ser feita sob rigoroso controle sanitário para evitar que elas sejam foco de disseminação de pragas e doenças.

Figura 1: Transplante mecanizado de mudas.

A introdução do sistema de transplante de mudas viabilizou, ainda, a utilização de cultivares híbridas, cujas sementes têm custo muito superior ao das cultivares de polinização aberta. O modelo de transplantadeira atualmente comercializado no Brasil tem capacidade para transplantar cerca de 120 mil mudas/dia, correspondendo ao plantio de quatro hectares de lavoura, empregando mudas produzidas em bandejas.

No transplante, utilizam-se fileiras simples, distanciadas de 1,0 a 1,2 m, com cinco plantas por metro linear, o que corresponde a uma população variável de 42 mil a 50 mil plantas/ha. Atualmente, com a utilização de cultivares híbridas mais vigorosas, existe a tendência de se utilizar, na Região Centro-Oeste, populações de 30 mil a 35 mil plantas por hectare; porém, em algumas regiões, vêm sendo utilizadas menos de 30 mil plantas por hectare.

Com transplantadeira mecânica e fileira simples, o espaçamento é de 1,0 m entre linhas e três plantas por metro linear, resultando em uma população de 30 mil plantas/ha. Com fileiras duplas, o espaçamento mais utilizado é o de 1,2 m entre as fileiras duplas e 0,7 m entre as linhas de cada fileira dupla.

Plantios adensados dificultam os tratos culturais e propiciam o aumento da umidade na superfície do solo, o que favorece o ataque de fungos causadores de podridões.

Plantio direto na palha

Esse sistema consiste em efetuar o plantio das sementes ou o transplantio das mudas sem realizar o preparo do solo com aração e gradagem, mantendo a palha da cultura anterior (Figura 2). A presença da palha protege a terra contra o impacto da chuva ou da irrigação por aspersão, favorece o controle de plantas daninhas e cria um ambiente favorável ao bom desenvolvimento do sistema radicular do tomateiro.

Figura 2: Cultura de tomate utilizando o sistema de plantio direto na palha.

Recentemente, o transplantio de mudas de tomateiro direto na palha vem sendo avaliado e introduzido na Região Centro-Oeste. Esse sistema tem como principais vantagens a melhor conservação do solo e o menor uso de máquinas na lavoura.

Nas regiões onde o tomateiro é cultivado em solos de cerrado, existe a dificuldade de implantação de culturas para a produção de palha visando à cobertura do solo. Entre as alternativas de sucessão, pode-se usar o arroz ou o milho, visando à produção de grão, ou o milheto, apenas para a produção de palhada. Como o tomateiro é plantado no período de março a meados de junho, as espécies anteriormente mencionadas são boas alternativas.

O milheto é semeado aproximadamente 55 dias antes do transplantio, utilizando-se 20 kg de sementes por hectare. O semeio pode ser feito a lanço, incorporando as sementes com uma grade niveladora.

A aplicação do herbicida visando à dessecação é feita aproximadamente 45 dias após a germinação e 10 dias antes do transplantio. O tombamento da palha do milheto pode ser feito com grade leve fechada, rolo faca ou pneu deitado, antes ou após a dessecação.

A adubação para o tomateiro é feita na profundidade de 7 a 12 cm, para evitar que as raízes das mudas entrem em contato direto com o fertilizante. Essa operação é realizada com uma adubadeira adaptada com um disco de corte e um sulcador denominado "botinha", que atua como um pequeno subsolador que trabalha à profundidade de aproximadamente 20 cm. Imediatamente atrás do sulcador, é colocada a saída de fertilizante. O número de distribuidores de fertilizantes colocados na barra de ferramentas da adubadeira e a distância entre eles deve ser igual ao número de distribuidores de mudas e a distância entre eles, para que haja coincidência das linhas e não ocorra deficiência de nutrientes em função do desvio entre as linhas de adubação e de transplante.

O maior aproveitamento da produção em função da redução das perdas por podridões e a bonificação recebida pela alta qualidade da matéria-prima têm incentivado o uso dessa técnica.

Semeadura direta

No caso de plantio por semeadura direta em fileiras simples, deve-se fazer uma ou duas gradagens e, logo a seguir, as operações de encanteiramento, sulcagem, adubação e semeadura. Quando os solos são do tipo leve e bem drenados, pode-se dispensar o levantamento de canteiros, principalmente quando se dispõe de sulcadores bem adaptados para fazer uma boa operação de amontoa. Se o plantio for em fileiras duplas, utiliza-se o rotoencanteirador e, sobre os canteiros, é feita a semeadura com semeadeira-adubadeira. Esse processo dispensa outra gradagem.

A adaptação de um distribuidor de adubo entre o trator e o rotoencanteirador possibilita aplicação e incorporação do fertilizante na mesma operação. O rotoencanteirador exige grande potência do trator e o trabalho é realizado em marcha reduzida, resultando em baixo desempenho. Além do elevado consumo de energia, as enxadas rotativas pulverizam o solo, destruindo sua estrutura. Adaptando-se dois sulcadores laterais a uma distribuidora de adubos, faz-se simultaneamente a adubação, incorporação do adubo e levantamento dos canteiros. Em seguida, passa-se o rotoencanteirador, regulado para triturar apenas a camada superior do canteiro. Dessa forma, o encanteirador não pulveriza o solo, auxilia na incorporação e na melhoria da distribuição do adubo e exige menor potência do trator.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Produção de mudas

A produção de mudas pode ser feita em bandejas de isopor e tem a vantagem de facilitar a semeadura e o manuseio das mesmas; permitir melhor controle sanitário e nutricional; facilitar o transporte para o local definitivo; e reduzir a necessidade de replantio.

Recomenda-se utilizar bandejas com 200 células. Entretanto, alguns viveiristas têm utilizado bandejas com 288 células, com tendência para se utilizar bandejas com até 400 células. Nesse caso, em função do pequeno volume de substrato disponível em cada célula, as mudas se formam com pequeno volume de raízes, aumentando o risco de ocorrência de deficiência nutricional. Recomendam-se, portanto, adubações complementares e regulares com macro e micronutrientes.

As mudas devem ser uniformes, evitando-se o uso daquelas muito pequenas, que ficam facilmente enterradas, e de mudas muito estioladas, que são facilmente danificadas durante o transplante com máquinas.

A estrutura de proteção (Figura 1) para a produção das mudas deve ser coberta com plástico apropriado e fechada lateralmente com tela de malha estreita, para impedir a entrada de insetos, principalmente os afídios. Em locais com temperatura elevada e baixa umidade relativa é recomendável a colocação de tela do tipo sombrite, com 60% de sombra, na parte interna da casa de vegetação, a uma altura de 2,5 m, para reduzir a evapotranspiração.

Figura 1: Telados para produção de mudas.

As bandejas devem ser colocadas sobre suportes para que fiquem a 30 cm do solo (Figura 2). O sistema mais comum e barato para construção dos suportes consiste em esticar fortemente dois ou três fios paralelos de arame de aço galvanizado, distanciados de 45 cm quando utilizar dois fios, ou 15 cm quando utilizar três fios, para sustentar cada fileira de bandejas. De dois em dois metros são colocados suportes para evitar o arqueamento dos fios (Figura 3 e Figura 4).

Figura 2: Bandejas com mudas e estrutura para suporte das bandejas.
Figura 3: Estrutura para suporte das bandejas.
Figura 4: Detalhe esquemático para construção do suporte das bandejas.

Para enchimento das células das bandejas, utiliza-se um substrato composto por vermiculita expandida, casca de pinus, casca de arroz carbonizada e fertilizantes. Nas bandejas de 200 células, cada célula recebe de 10 a 15 g de substrato, o que equivale a cerca de 4,2 litros de substrato por bandeja. Esse substrato pode ser adquirido comercialmente ou produzido na propriedade, desde que se teste a proporção dos ingredientes, antes de se iniciar a produção de mudas em grande escala.

Após o enchimento das células, faz-se a compactação do substrato e a abertura dos furos com 1 cm de profundidade (um furo por célula). Coloca-se uma ou duas sementes por furo, recobrindo-as em seguida com substrato peneirado ou com vermiculita pura de granulometria média ou fina. Gastam-se aproximadamente 90 a 100 g de sementes para produzir mudas para um hectare. Para produção de mudas em grande escala, a semeadura nas bandejas pode ser feita por máquinas automáticas de precisão que têm rendimento de 120 a 300 bandejas por hora (Figura 5). Após a semeadura, as bandejas são umedecidas e armazenadas em pilhas, por 72 horas, em um galpão coberto. Durante esse período, as sementes iniciam o processo de germinação, em seguida as bandejas são transferidas para as casas de vegetação ou telados.

Figura 5: Máquina para semeadura em bandejas.

Independentemente do número de células na bandeja, é relativamente pequeno o volume de substrato contido em cada célula e a quantidade de água retida. À medida que as mudas se desenvolvem, a água disponível se esgota em períodos cada vez mais curtos, exigindo irrigações cada vez mais freqüentes.

Durante o crescimento das mudas, pode haver o esgotamento de nutrientes, ocasionando sintomas de deficiência, principalmente de nitrogênio. Para a correção da deficiência, faz-se a aplicação de uréia a 0,5% ou fosfato monoamônico a 0,5% pela água de irrigação ou por via foliar, juntamente com a pulverização de agrotóxicos. Dependendo da composição do substrato pode ser necessário aplicar outros nutrientes. Nesse caso, recomenda-se um fertilizante foliar formulado com micro e macronutrientes, seguindo a recomendação do fabricante. A aplicação de nutrientes e a irrigação na fase de produção de mudas deverão ser uniformes evitando-se, desse modo, que as mudas fiquem desuniformes, dificultando as operações de transplante e colheita.

Na semana que antecede ao transplante, deve-se proceder o "endurecimento" das mudas, reduzindo a quantidade de água e o fornecimento de nitrogênio. Essa técnica evita que as mudas fiquem muito vigorosas e tenras, facilitando o transplante mecanizado e melhorando o seu pegamento.

Quando são utilizadas bandejas de isopor, as mudas são transplantadas no mesmo estádio que aquelas produzidas em sementeiras (4 ou 5 folhas definitivas). Nessa fase, as mudas encontram-se perfeitamente enraizadas, dando bastante consistência ao torrão (Figura 6). Deve-se fazer uma irrigação no momento que antecede ao transplante. Geralmente as bandejas são mergulhadas em uma solução contendo fungicidas (Metalaxyl + Mancozeb) e inseticida (Imidacloprid), com a finalidade de proteger as mudas durante os primeiros dias após o transplante.

Figura 6: Muda no estádio ideal para transplante.

As bandejas e as caixas utilizadas no transporte de mudas devem ser lavadas e desinfestadas após cada utilização, submergindo-as em uma solução contendo 2% de hipoclorito de sódio (água sanitária) por aproximadamente um minuto.

O transporte das mudas dentro da propriedade é feito geralmente em carretas. Quando o viveiro encontra-se distante da área de plantio, utilizam-se para o transporte estruturas metálicas montadas na carroceria de caminhões (Figura 7), protegidas com plástico de uso agrícola, para evitar a desidratação rápida das mudas. Para o transporte a longa distância, são utilizados caminhões com carroceria do tipo baú.

Figura 7: Estrutura para transporte de mudas em caminhões.

As mudas transportadas para o local de plantio devem ser protegidas com sombrite (Figura 8) e irrigadas freqüentemente, para evitar o seu rápido dessecamento, enquanto se aguarda o transplante.

O transplante (Figura 9), deve ser realizado com o solo umedecido. Para isso deve ser feita a irrigação com antecedência.

Figura 8: Proteção das mudas no campo enquanto se aguarda o transplante.
Figura 9: Transplante mecanizado.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Adubação

0 tomateiro é considerado, dentre as hortaliças, uma das espécies mais exigentes em adubação. Portanto, conhecer as exigências nutricionais, os principais sintomas de deficiências e o modo de corrigi-las é fundamental para o êxito da cultura.

A absorção de nutrientes pelo tomateiro é baixa até o aparecimento das primeiras flores. Daí em diante, a absorção aumenta e atinge o máximo na fase de pegamento e crescimento dos frutos (entre 40 e 70 dias após o plantio), voltando a decrescer durante a maturação dos frutos.

A quantidade de nutrientes extraída pelo tomateiro é relativamente pequena, mas a exigência de adubação é muito grande, pois a eficiência de absorção dos nutrientes pela planta é baixa. Para os fertilizantes fosfatados, por exemplo, a taxa de absorção é de aproximadamente 10%. O restante fica no solo, na forma de resíduo, podendo ser absorvido por plantas daninhas, ser transportado pela água ou ser retido por partículas do solo.

Em média, em cada tonelada de frutos colhidos, são encontrados: 3 kg de nitrogênio; 0,5 kg de fósforo; 5 kg de potássio; 0,8 kg de cálcio; 0,2 kg de magnésio e 0,7 kg de enxofre. Em relação aos micronutrientes, as quantidades são: 5 g de boro; 25 g de zinco; 10 g de cobre; 25 g de manganês e 25 g de ferro.

Pela análise foliar, pode-se conhecer o estado nutricional da planta. Os níveis mais adequados estão na Tabela 1. As amostras para análise são coletadas 50 dias após o plantio, retirando-se a quarta folha a partir do ápice das hastes. Pelo menos 20 a 30 plantas por hectare devem ser aleatoriamente amostradas.

O uso eficiente de fertilizantes exige uma diagnose correta de possíveis problemas de fertilidade do solo e nutrição da planta, antes e após as adubações. O conhecimento do histórico da área deve também ser considerado, pois os resíduos de adubações pesadas, principalmente de micronutrientes, podem atingir níveis tóxicos. Isoladamente, a análise de solo não é um instrumento eficaz para a definição de doses e épocas de aplicação de fertilizantes nitrogenados. Nesse aspecto, a experiência local deve ser a base do manejo.

A adubação orgânica é recomendada nas dosagens de 2 a 10 t/ha (dependendo da pureza) de esterco de galinha, aplicado no sulco de plantio, ou de 6 a 20 t/ha de esterco de gado, aplicado a lanço ou no sulco. Esta prática é pouco utilizada, uma vez que os plantios de tomate para industrialização são feitos em grandes áreas.

A adubação verde também é uma prática recomendável, especialmente em locais de solos intensamente cultivados, depauperados ou de baixa fertilidade natural. A prática melhora as condições físicas do solo e reduz a população de nematóides.

De modo geral, sugere-se a aplicação de 80 a 120 kg/ha de N, 300 a 450 kg/ha de P205 e 50 a 100 kg/ha de K20. Entretanto, ressalta-se que as doses devem ser ajustadas de acordo com o solo a ser fertilizado. A dose de N pode ser menor que 80 kg/ha se o solo for rico em matéria orgânica. Para os solos intensamente cultivados, a dose de fósforo pode ser reduzida.

Sugestões de adubação para as principais regiões produtoras

Estado de São Paulo

Nas principais regiões produtoras do Estado, é comum o uso da seguinte adubação: 500 kg/ha da formulação 4-30-10 em pré-plantio e uma mistura de 500 kg/ha de 4-30-10 com 250 kg/ha de sulfato de amônio, aplicada em cobertura e incorporada 30 a 35 dias após a emergência.

Região do submédio São Francisco

Em latossolos recém-desbravados, sugere-se o mesmo sistema de adubação para os solos do Estado de São Paulo. Em solos com exploração intensiva, a adubação com P e K deve ser feita com base na análise do solo.

A adubação nitrogenada deve ser feita com 30 kg/ha de N no plantio e 60 kg/ha de N em cobertura.

Região dos Cerrados

Considerando os níveis de fertilidade obtidos pelo teor de P e K encontrados na análise do solo, recomenda-se a aplicação das seguintes quantidades desses elementos para a região de Brasília.

A adubação nitrogenada é feita com 120 kg/ha de N, sendo que 40 a 60 kg/ha são aplicados no plantio, juntamente com fósforo e potássio, e o restante na forma de nitrocálcio, em cobertura, 25 a 30 dias após o plantio.

A adubação com micronutrientes deve ser feita com substâncias compostas e de lenta solubilidade, contendo três ou mais micronutrientes (FTE BR 12). Juntamente com a adubação de plantio, recomenda-se, em média, 80 kg/ha de FTE ou a aplicação de bórax (30 kg/ha) mais sulfato de zinco (30 kg/ha). A aplicação de adubos formulados contendo B e Zn é uma maneira mais prática de uniformizar sua distribuição. Solos que apresentem teores de B e Zn menores que 1,5 e 5,0 ppm, respectivamente, devem receber adubação com estes elementos.

Na região de cerrado de Patos de Minas-MG, recomenda-se a adubação de 500 a 700 kg/ha da fórmula 4-30-10, contendo B e Zn. A mesma adubação é repetida em cobertura, associada com a adubação nitrogenada, procurando-se elevar a dose total de nitrogênio para 100 a 150 kg/ha. Em solos mais pobres, deve-se utilizar 400 kg/ha de termofosfato magnesiano com micronutrientes (B, Zn, Mn, Cu, Mo), juntamente com o adubo formulado de N , P e K .

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Solos

Escolha da área e preparo do solo

As propriedades químicas, físicas e biológicas dos solos devem ser consideradas antes da decisão de se efetuar os plantios, devendo-se evitar áreas que tenham possibilidade de encharcamento, com topografia muito irregular e que apresentem manchas ou bancos de areia, cascalho ou pedras. Quanto aos aspectos biológicos, é importante evitar áreas com presença de patógenos. Para isso, deve-se recorrer ao histórico dos plantios anteriores, alertando-se para a ocorrência de nematóides formadores de galhas, mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), murcha-de-estenfílio, murcha-de-fusário e murcha-bacteriana. Deve-se também evitar o plantio em áreas próximas às ocupadas com outros cultivos, onde possa ocorrer a reprodução de insetos, tais como mosca-branca, tripes e pulgões, prevenindo-se contra seus danos diretos ou indiretos (vetores de viroses).

O excesso de restos culturais ou de plantas voluntárias diminui a eficiência dos equipamentos utilizados no preparo do solo, resultando na necessidade de realizar repetidamente algumas operações, tendo como conseqüência o alto movimento de máquinas, elevação dos custos e solos irregularmente preparados. Uma das formas de reduzir o volume dos restos culturais consiste em passar uma grade aradora e aguardar o período de pelo menos quinze dias, para que ocorra a decomposição parcial do material. Outra opção é realizar uma roçagem e o enleiramento dos restos vegetais.

Quanto às propriedades físicas do solo, deve-se, sempre que possível, escolher áreas com solos leves, ou seja, com boa distribuição das frações granulométricas (areia, silte e argila), profundos e permeáveis.

Antes de se iniciar a operação de preparo do solo, deve-se verificar a presença ou não de camadas adensadas. A presença e a profundidade dessas camadas adensadas são detectadas por sondagens com penetrômetros ou pela abertura de trincheiras. Deve-se também coletar amostras de solo para análise química. A aplicação de calcário, se necessária, deve ser feita dois meses antes do plantio e no período em que ainda ocorram chuvas. Quando a dosagem de corretivo recomendada for superior a 2 t/ha, a calagem deve ser dividida em duas aplicações, sendo a primeira antes da aração, e a segunda, após a primeira gradagem. Quando o solo apresentar pH acima de 5,0, a correção é complementar e o corretivo pode ser aplicado de uma só vez e incorporado.

A salinidade, ou concentração de sais solúveis no solo, avaliada pela condutividade elétrica, deve merecer atenção especial, principalmente em regiões onde a água de irrigação apresenta alta concentração de sais. O solo é considerado salino quando apresenta condutividade elétrica superior a 4 ds.m-1. Irrigação adequada e boa drenagem evitam o acúmulo de sais.

Existem várias opções de preparo do solo, e a escolha depende da disponibilidade de equipamentos, da textura, do grau de compactação do solo e do sistema de plantio.

Em solos compactados, a primeira operação é a subsolagem ou aração profunda (superior a 30 cm). A subsolagem deve ser feita com baixa umidade do solo, para ter ação lateral de quebra da camada adensada. No entanto, com solo muito seco pode ocorrer a formação de grandes torrões, dificultando as demais operações de preparo de solo e o plantio. Em alguns casos, é necessário realizar uma irrigação da camada superficial antes da aração ou da subsolagem. Após a subsolagem, deve-se usar a grade aradora e completar o destorroamento com grade niveladora.

A compactação do solo é reduzida por meio do preparo mais profundo do solo, evitando-se, sempre que possível, apenas o uso da grade aradora. Caso a implantação da cultura seja feita por meio de mudas transplantadas, não há necessidade de destorroar excessivamente o terreno, evitando-se, desse modo, maior compactação do terreno. Com semeadura direta, é indispensável eliminar os torrões e os restos de vegetação, que dificultam a distribuição das sementes e a emergência das plântulas.

Atualmente, quase todas as áreas cultivadas com tomateiro destinado ao processamento industrial são plantadas com mudas produzidas em bandejas e transplantadas com auxílio de máquinas ou até mesmo manualmente, dispensando o uso de canteiros.

Quando se pretende utilizar a colheita mecanizada, além de selecionar áreas com topografia regular e de pouco declive, deve-se ter cuidado quanto à existência de pedras, tocos e outros objetos que possam danificar o equipamento.

Correção do solo

A utilização racional da calagem e de fertilizantes é de importância fundamental na tomaticultura, uma vez que esses insumos representam, em média, 20% a 25% do custo de produção.

A acidez elevada afeta a disponibilidade dos nutrientes contidos no solo ou adicionados através da adubação, influenciando a assimilação dos mesmos pelas plantas. Estima-se que a eficiência média na assimilação dos macronutrientes primários e secundários seja de 27% quando o pH é 4,5, e de 80% quando o pH é próximo de 6,0, o que torna a calagem uma prática essencial.

A necessidade de calcário, com base na análise do solo, pode ser determinada pelos seguintes métodos:

a) Método baseado nos teores de Ca + Mg trocáveis: t/ha de calcário = [(2, 0 - (meq Ca + Mg)/dm3)] x 2

b) Método baseado nos teores de Al, Ca e Mg trocáveis (recomendado para solos com mais de 20% de argila): t/ha de calcário = 2, 0 x meq de Al/dm3 + [3 - (meq de Ca + Mg/dm3)]

c) Método baseado nos teores de saturação de bases: t/ha de calcário = T(V1 – V2)/100

Onde: T (soma dos íons trocáveis) = Ca + Mg + K + (H + Al) em meq/dm3 de solo; V2 = 70, que é a % de saturação de base recomendada para o tomateiro; V1 = saturação de bases existente no solo, calculada pela fórmula: v, = S x 100/T, em que S (soma de bases trocáveis) = Ca + Mg + K em meq/dm3 de solo.

A quantidade de calcário determinada com base na análise de solo deve ser corrigida de acordo com a eficiência ou poder relativo de neutralização total (PRNT) do material a ser utilizado. É importante observar a relação entre o preço do calcário e a sua qualidade (PRNT). Deve-se preferir o uso do calcário dolomítico, que fornece simultaneamente cálcio e magnésio.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Clima

O tomateiro é originário da costa oeste da América do Sul, onde as temperaturas são moderadas (médias de 15ºC a 19ºC) e as precipitações pluviométricas não são muito intensas. Entretanto, floresce e frutifica em condições climáticas bastante variáveis. A planta pode desenvolver-se em climas do tipo tropical de altitude, subtropical e temperado, permitindo seu cultivo em diversas regiões do mundo.

Fatores climáticos que afetam o desenvolvimento do tomateiro

Temperatura

A maioria dos trabalhos indica que a faixa de temperatura mínima para germinação da semente de tomateiro é de 8 a 11ºC, sendo que a faixa de temperatura ótima para germinação situa-se entre 16 e 29ºC (Tabela 1).

A temperatura média no período de cultivo deve ser de 21ºC, mas a planta pode tolerar uma amplitude de 10 a 34ºC. Quando submetida a temperaturas inferiores a 12ºC, a planta de tomateiro tem seu crescimento reduzido, sendo sensível a geadas. A antese da primeira flor do primeiro cacho de plantas submetidas a uma temperatura média do ar de 20ºC ocorre, normalmente, 12 dias mais cedo do que a de plantas que se desenvolvem com temperatura média de 16ºC.

Em temperaturas médias superiores a 28ºC, formam-se frutos com coloração amarelada (Figura 1) em razão da redução da síntese de licopeno (responsável pela coloração vermelha típica dos frutos) e aumenta a concentração de caroteno (pigmento que confere coloração amarelada à polpa). Temperaturas noturnas próximas a 32ºC causam abortamento de flores, mau desenvolvimento dos frutos e formação de frutos ocos. A produção de pólen é afetada tanto por temperaturas altas (> 40ºC) quanto por temperaturas baixas (< 10ºC).

Figura: Frutos descoloridos resultantes da ocorrência de altas temperaturas.

Temperaturas superiores a 26ºC causam redução no ciclo da cultura. Esse fator deve ser considerado pelas firmas processadoras na fase de programação de colheita para evitar acúmulo de maturação de frutos em um mesmo período. A utilização de cultivares com diferentes ciclos de maturação, juntamente com uma boa programação de plantio, pode auxiliar no escalonamento da colheita.

Precipitação pluvial

Embora o tomateiro seja uma planta muito exigente em água, o excesso de chuvas pode limitar seu cultivo. Altos índices pluviométricos e alta umidade relativa favorecem a ocorrência de doenças, exigindo constantes pulverizações de agrotóxicos. O excesso de chuva ou de aplicação de água por irrigação prejudica também a qualidade dos frutos, por causa da redução do teor de sólidos solúveis (º Brix) e do aumento de fungos na polpa. Em solos mal drenados, pode ocorrer acúmulo de umidade, com limitação de crescimento radicular, tornando as plantas menos eficientes na absorção de nutrientes e mais suscetíveis às variações da umidade do solo.

Fotoperíodo

O tomateiro não responde significativamente ao fotoperíodo, desenvolvendo-se bem tanto em condições de dias curtos quanto de dias longos. O fotoperíodo exerce pouca influência no florescimento de L. esculentum. Entretanto, algumas espécies silvestres só florescem em dias curtos.

Pouca luminosidade provoca um aumento da fase vegetativa, retardando o início do florescimento.

Umidade relativa

Em regiões de alta umidade relativa ocorre a formação de orvalho e as folhas se mantêm úmidas por longo período do dia, principalmente aquelas localizadas na parte inferior das plantas. Isso favorece o desenvolvimento de doenças, principalmente as causadas por fungos e bactérias (ver capítulo de doenças).

Por ocasião da escolha da área, devem-se evitar locais de baixadas e vales, onde geralmente é menor a circulação do ar e, portanto, maior o período de permanência do orvalho nas plantas, especialmente nas partes mais sombreadas.

Granizo

Dependendo da intensidade, o granizo pode danificar frutos, folhas e caules (Figura 2), causando enormes perdas ou promovendo proliferação de doenças. Áreas com alta probabilidade de ocorrência de granizo não devem ser utilizadas.

Figura: Danos nos frutos e na planta causados por granizo.

Época de Plantio

O tomate para processamento industrial deve ser preferencialmente plantado em épocas ou em locais de pouca precipitação pluvial e baixa umidade relativa do ar.

No oeste do Estado de São Paulo, o plantio é recomendado de fevereiro a meados de junho. Plantios antecipados (janeiro), embora comumente realizados nessa região, podem ser prejudicados por excesso de chuvas que propiciam a ocorrência da mancha-bacteriana. Nesse caso, devem-se utilizar cultivares mais tolerantes a essa bacteriose e um maior espaçamento entre plantas. Plantios mais tardios (junho/julho) sujeitarão a lavoura a chuvas durante o período de colheita e a maiores infestações de traça-do-tomateiro, prejudicando a qualidade do produto.

Na Região Nordeste, no Alto, Médio e Submédio São Francisco, a época de plantio mais recomendada é também de março a meados de junho, quando ocorrem temperaturas mais amenas e menor precipitação pluvial. Plantios mais tardios ficam sujeitos a maiores danos pela traça-do-tomateiro. Na região de Pesqueira-PE, onde predominam os cultivos não-irrigados, a época de plantio mais recomendada é do início de março até o final de abril. Visando implementar um programa de manejo integrado de pragas para a região de plantio nos Estados de Pernambuco e da Bahia, o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária estabeleceu, pela Portaria nº 53, de 27/02/1992, os períodos limites para o plantio de tomate naquela região e ainda condicionou a concessão de crédito apenas para os produtores que obedecerem ao cronograma de plantio e que destruírem os restos culturais imediatamente após a última colheita.

Na Região Centro-Oeste, os plantios podem ser iniciados na segunda quinzena de fevereiro, podendo estender-se até meados de junho. Em fevereiro, os plantios são dificultados pela alta incidência de chuvas no período. Utilizando-se o sistema de produção de mudas em ambiente protegido para posterior transplante, é possível antecipar o início dos plantios no campo. Entretanto, em anos chuvosos, o uso das máquinas de transplante de mudas fica prejudicado, dificultando a antecipação dos plantios.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Composição nutricional

O fruto do tomateiro possui em sua composição de 93% a 95% de água. Nos 5% a 7% restantes, encontram-se compostos inorgânicos, ácidos orgânicos, açúcares, sólidos insolúveis em álcool e outros compostos (Tabela 1).

Embora as vitaminas estejam presentes em uma pequena proporção do total da matéria seca, essas substâncias são importantes do ponto de vista nutricional (Tabela 2).

A composição dos frutos de tomate para indústria vem sendo alterada por meio de melhoramento genético com o objetivo de selecionar cultivares com características desejáveis para o processamento. A composição dos frutos é uma característica da cultivar, mas também pode ser influenciada pelas condições edafoclimáticas da região produtora.

Durante o processo de maturação dos frutos, ocorrem grandes transformações em suas características. Conseqüentemente, para uma comparação mais precisa das características químicas e bioquímicas entre as distintas cultivares, é necessária uma amostragem bastante cuidadosa visando comparar os frutos no mesmo estádio de maturação fisiológica. O processamento industrial também altera a composição da matéria-prima.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

08 outubro, 2012

Tomate - Importância Econômica

A produção mundial de tomate para processamento industrial no ano 2000 foi de aproximadamente 27 milhões de toneladas. O Brasil, um dos maiores produtores mundiais, produziu em 2002 cerca de 1,28 milhão de toneladas em uma área de 18,25 mil hectares, indicando que, atualmente, nossa produtividade média é de cerca de 70 t por hectare (Tabela 1).

A produção brasileira de tomate para industrialização, ou tomate rasteiro, começou em Pernambuco, no município de Pesqueira, no final do século XVlll. Porém, a cultura experimentou um grande impulso apenas a partir da década de 1950, no Estado de São Paulo, viabilizando a implantação de diversas agroindústrias. Na década de 80, ela expandiu-se na região Nordeste, especialmente em Pernambuco e no Norte da Bahia. Em virtude das condições climáticas favoráveis existentes naquela região, imaginou-se a possibilidade de cultivar o tomateiro durante um maior período do ano, com a expectativa de evitar a formação de estoques de polpa e reduzir o período de ociosidade da indústria na entressafra. A partir de 1991, ocorreu redução da área plantada, provocada pela maior oferta de polpa no mercado internacional e pelo ataque severo da traça-do-tomateiro (Tuta absoluta).

Atualmente, a maior área cultivada com tomate industrial está na região Centro-Oeste, onde o clima seco durante os meses de março a setembro favorece o cultivo do tomateiro. Os solos profundos e bem drenados e a topografia plana facilitam a mecanização e permitem o uso de grandes sistemas de irrigação.

O cultivo do tomateiro exige um alto nível tecnológico e intensa utilização de mão-de-obra. Apesar do elevado índice de mecanização nas operações de preparo de solo, adubação, transplantio, irrigação e pulverização; é necessário empregar cerca de 100 homens-dia por hectare na execução das tarefas de capinas e colheitas manuais, o que dá a essa cultura elevada importância econômica e social.

Como todo produto destinado ao processamento em larga escala, os preços dos produtos derivados de tomate são muito influenciados pelo mercado internacional. Por isso, a tecnologia de produção deve buscar competitividade, reduzindo custos de produção e elevando os índices de produtividade e qualidade.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

25 setembro, 2012

Comercialização de soja reduz ritmo no Brasil; preços em queda

A comercialização de soja no Brasil ficou praticamente estagnada na última semana, apesar de ainda num estágio bastante avançado em relação ao mesmo período do ano passado.

"O acompanhamento semanal de comercialização mostra que não houve variações percentuais na comercialização brasileira, nem para a safra velha nem para a nova", disse a consultoria em seu relatório semanal.

A safra 2011/12, já colhida, continuou com 98 por cento de seu volume negociado, oito pontos percentuais acima do observado na mesma época em 2011.

Já a safra 2012/13, que começa agora a ser plantada, tinha 46 por cento de seu volume previsto vendido antecipadamente, 22 pontos percentuais acima do mesmo período do ano passado.

A Céleres destacou que a última semana foi marcada por fortes quedas no preço dos contratos futuros na bolsa de Chicago, "o que tem sido atribuído, principalmente, às recentes realizações de lucros".

O contrato novembro da soja em Chicago acumula perdas de mais de oito por cento desde o início de setembro até esta segunda-feira, sessão na qual ela registra perdas e é cotada próximo de 16,09 dólares por bushel.

Apesar de acumular perdas no mês, a soja está em patamares elevados historicamente. Em Chicago, a commodity atingiu o recorde de 17,9475 dólares por bushel em 4 de setembro, uma vez que a pior seca em mais de meio século afetou as lavouras do Meio-Oeste dos EUA, depois de o clima seco já ter afetado safras do Brasil e Argentina neste ano.

Segundo a consultoria, os preços domésticos da soja seguiram em consonância com as cotações internacionais, "porém há quedas menos acentuadas, devido, principalmente, à pressão dos baixos estoques, que representaram relativa sustentação ao mercado".

Considerando as praças cotadas pela Céleres, a queda média na semana correspondeu a 1 por cento.

Fonte: Reuters Brasil (http://br.reuters.com)

22 setembro, 2012

Plantio de soja começa no Brasil: chuvas favorecem

O plantio de soja começou adiantado em Mato Grosso na temporada 2012/13, após a chegada das primeiras chuvas no Estado, o principal produtor brasileiro da oleaginosa, indicando um bom início para a safra do Brasil, que poderá ser recorde se o tempo colaborar, considerando o aumento expressivo na semeadura em meio a preços recordes.

Os trabalhos nos campos começaram dez dias antes do registrado na temporada anterior e o plantio já ocupa 0,6 por cento da área estimada para ser recorde em 7,9 milhões de hectares em Mato Grosso, com crescimento de 11,6 por cento ante a temporada passada, segundo o Imea, instituto de análises dos produtores do Estado, que tradicionalmente lidera o plantio.

“As safras 2011/12 e 2010/11 começaram em 30 de setembro. Conseguimos antecipar em dez dias o plantio (este ano). A chuva não chegou em grandes volumes, mas um pouco que chegou já ajudou no plantio”, declarou Cléber Noronha, analista do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Segundo Noronha, a maioria das regiões de Mato Grosso está plantando soja, após chuvas nas regiões de Rondonópolis, Primavera do Leste (sudeste), Nova Mutum, Lucas do Rio Verde (Médio-Norte) e Itaúba (Norte). Já em Sinop, perto de Itaúba, não choveu.

O Imea estima uma produção recorde de 24,1 milhões de toneladas para o Mato Grosso, que responderia por mais de um quarto da produção brasileira, estimada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) em 81 milhões de toneladas –o governo do Brasil ainda não divulgou sua previsão para a nova safra.

Caso essa produção seja confirmada, o Brasil passaria a liderar a produção e exportação global de soja em 2012/13, segundo o USDA, considerando que os Estados Unidos sofreram grandes perdas após a pior seca em mais de meio século.

Uma grande produção brasileira seria importante para abastecer os mercados globais, cujos preços atingiram máximas históricas recentemente, estimulando o plantio.

O plantio de soja será lançado oficialmente na segunda-feira, em Sorriso, com a presença esperada do ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro.

Fonte: Jornal Agora MS (http://www.agorams.com.br)

Adapar emitiu 130 autos de infração durante o vazio sanitário da soja

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) emitiu 130 autos de infração durante o período do vazio sanitário da soja, que foi encerrado no último dia 15 de setembro e durante o qual ficou proibida no Estado a manutenção de plantas vivas de soja. Os autos são relativos a uma área de 3.820 hectares espalhados pelo Estado – extensão considerada pequena diante dos 4,4 milhões de hectares plantados com soja na safra 2011/12. O balanço foi divulgado nesta sexta-feira (21), data do início oficial do plantio de soja no Paraná.

O vazio sanitário da soja compreende um período de três meses, iniciado em 15 de junho. A medida é adotada anualmente para evitar a incidência de focos da ferrugem asiática, doença provocada por fungos que atacam as lavouras de soja.

Neste ano, além dos 130 autos de infração emitidos durante o vazio, técnicos da Adapar haviam emitido 103 notificações que alertavam o produtor rural sobre a existência de plantas vivas de soja que poderiam vir a ser hospedeiras do fungo que provoca a ferrugem asiática, doença que causa grandes prejuízos econômicos aos produtores.

Para a engenheira agrônoma Maria Celeste Marcondes, responsável pelo acompanhamento do vazio sanitário na Adapar, os resultados de 2012 podem ser considerados elevados quando comparados com o ano anterior. Ela lembra, porém, que este ano foi atípico, sem a ocorrência de geadas ou outros fatores climáticos que poderiam eliminar as plantas vivas de soja nas propriedades, carreadores ou estradas.

No ano passado, quando ocorreram alguns períodos de geadas intensas e de baixas temperaturas, foram lavrados 47 autos de infração. Até 15 de junho, antes do período do vazio sanitário, foram emitidos 124 notificações que alertavam os produtores para a necessidade de eliminar as plantas vivas durante o período.

Apesar disso, o resultado desse ano foi inferior ao de 2010, quando também foram emitidos 134 autos de infração, relativo a uma área de 4.236 hectares, área esta maior do que a deste ano, onde foram encontradas plantas vivas de soja. É muito difícil eliminar totalmente todas as plantas remanescentes de soja, pelo fato da emergência espontânea durante todo o período, que pode ocorrer em locais nem sempre de fácil acesso ou de difícil localização, assim as baixas temperaturas registradas contribuem para esta eliminação, explica Celeste.

A engenheira agrônoma lembra aos produtores que eles são os maiores beneficiados com a eliminação das plantas vivas no período estabelecido como vazio sanitário. Isso porque onde há plantas remanescentes, que não são eliminadas durante o período do vazio sanitário, elas se tornam hospedeiras do fungo da ferrugem asiática, que podem contaminar as plantas novas quando inicia-se o plantio da safra regular, disseminando a doença, e consequentemente aumentando o custo de produção pelo controle químico, culminando com danos ao meio ambiente.

Fonte: Expresso MT (http://www.expressomt.com.br)

Agricultura é o único setor da economia com queda na geração de empregos em agosto

A Agricultura foi o único setor da economia a registrar queda na geração de empregos em agosto. Segundo dados divulgados nesta quinta, dia 20, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a perda no mês foi de 16.615 postos devido a fatores sazonais. Quando levados em conta os demais setores, no entanto, o resultado de agosto foi positivo, com a criação de 100.938 vagas, alta de 0,26% em relação ao estoque do mês anterior.

No acumulado do ano, os dados demonstram que houve uma expansão de 3,64% no nível de emprego, equivalente ao acréscimo de 1.378.803 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o aumento foi de 1.457.412 postos de trabalho, correspondendo à elevação de 3,85%.

O resultado positivo do mês foi impulsionado principalmente pelo setor de Serviços, que contribuiu com 54.323 novas contratações, alta de 0,34%. Já o Comércio gerou 31.347 vagas, crescimento de 0,37%; a Indústria da Transformação criou 16.438 postos, expansão de 0,20%; e Construção Civil, 11.278 postos e expansão de 0,37%. Em termos relativos, destaque para os Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP), com alta de 0,57% e 2.205 postos de trabalho.

Fonte: O Correio News (http://www.ocorreionews.com.br)

Abramilho critica decisão de investigar milho modificado

O presidente-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, criticou a decisão do primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, anunciada esta semana, de iniciar os estudos locais sobre a segurança alimentar de milho geneticamente modificado. Ayrault declarou que se houver algum problema em relação ao consumo humano do milho irá pedir a interdição de variedades do grão transgênico na União Europeia.

"Estão fazendo tempestade em copo d'água", disse Paolinelli. "É um produto com 15 anos de mercado, com segurança alimentar comprovada e aceitação recorde entre produtores e indústria", afirmou o ex-ministro da Agricultura, durante o Fórum Nacional de Agronegócios, em Campinas (SP).

Na avaliação do presidente-executivo da Abramilho, é improvável que a União Europeia suspenda a importação de milho transgênico. Além disso, o cenário favorável à produção do grão, após a seca nos Estados Unidos, tranquiliza o produtor brasileiro. "O milho geneticamente modificado é provavelmente o maior exemplo de aceitação de biotecnologia na agricultura brasileira e mundial; em menos de cinco anos no mercado brasileiro, 80% das lavouras de milho já são transgênicas".

Na avaliação da Abramilho, no curto prazo a área de cultivo no Brasil de milho transgênico deve triplicar e atingir de 9 milhões a 10 milhões de hectares plantados.

Fonte: Portal A Tarde (http://atarde.uol.com.br)

Criada Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) criou, nesta sexta-feira, 21 de setembro, a Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP), por meio da Portaria nº 852 publicada no Diário Oficial da União (DOU). A agricultura de precisão (AP) é uma técnica que promove o desenvolvimento sustentável e a competitividade do agronegócio em benefício da sociedade brasileira.

A CBAP será responsável pela difusão e fomento de conceitos e técnicas de agricultura de precisão. Dentre suas atribuições estão desenvolver programas de treinamento de mão de obra em AP, levantar demandas de pesquisa e encaminhá-las aos órgãos competentes, bem como gerar e adaptar conhecimentos e tecnologias com custo e benefícios equilibrados. Além disso, a Comissão também buscará mecanismos para incluir disciplinas na área de agricultura de precisão em cursos técnicos, de graduação e pós-graduação; elaborar material de divulgação da AP; buscar a inserção da técnica nas políticas brasileiras; e criar um banco de dados público das atividades relacionadas à prática.

A agricultura de precisão utiliza equipamentos e máquinas que fazem análise de solo e distribuem os insumos em taxas variadas. Sensores de rendimento mostram as áreas com melhor rendimento do solo e orientam para a melhor maneira de plantar. Aparelhos de GPS mapeiam e ajudam a monitorar a propriedade para adubação e uso de agroquímicos em quantidade certa para cada local. Isso evita o desperdício de fertilizantes, otimiza a colheita e proporciona sustentabilidade e competitividade ao pequeno, médio e grande agronegócio brasileiro.

A comissão será composta por membros de 13 instituições: ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); do Desenvolvimento Agrário (MDA), da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI); Associação Brasileira de Engenheiro Agrícola (Abeag); Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea); Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer); Associação Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA); Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); Fórum de Pró-Reitores de Pós Graduação (Foprop); Universidade de Santa Maria e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Fonte: Jornal Dia Dia (http://www.jornaldiadia.com.br)

17 setembro, 2012

Deputados tentam aprovar MP do Código Florestal antes das eleições

A votação da Medida Provisória 571 do Código Florestal volta a ser o principal assunto da Câmara dos Deputados nesta semana, quando os deputados fazem o último esforço concentrado de votações antes do primeiro turno das eleições. Há duas semanas, a Casa tentou votar a matéria, mas não houve acordo entre deputados da chamada bancada ruralistas e governo. A nova tentativa de votação ocorrerá nos dias 18 e 19.

O chamado esforço concentrado, que antecede o período eleitoral, é quando deputados e senadores entram em recesso branco, que são dias de votação em que parlamentares, mesmo sem desconto das faltas, podem deixar de comparecer ao Congresso para participar das campanhas eleitorais. Neste ano, os esforços concentrados da Câmara e do Senado estão sendo realizados em semanas alternadas, por isso, os senadores não terão votações nesta semana.

A dificuldade de votação ocorre porque o governo tem afirmado que não participou do acordo que viabilizou a aprovação da MP na comissão especial criada para discutir a proposta. No entanto, ruralistas argumentam que só desistiram de pontos que consideram importantes para facilitar a aprovação do relatório apresentado pelo senador Luiz Henrique (PMDB-SC).

O impasse ocorre porque parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária alegam que deputados e senadores da base aliada não só concordaram com o acordo, como também votaram a favor do texto. Para que não perca a validade, a MP precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado antes do dia 8 de outubro.

Para viabilizar a votação antes desse prazo, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), se comprometeu a convocar os senadores para novo esforço concentrado no dia 28 de setembro, caso a Câmara aprove a matéria nesta semana.

Durante a votação do relatório da MP na comissão especial, ruralistas conseguiram modificar a proposta enviada pelo Executivo para reduzir de 20 para 15 metros de regularização de área de preservação permanente (APP) em margens de rios de até 10 metros, em propriedades de 4 a 15 módulos fiscais (médios produtores).

Também foi aprovado, que, em propriedades acima de 15 módulos fiscais, independentemente da largura do curso de água, a recomposição ficará entre 20 a 100 metros de APP. O tamanho dessa área de proteção natural às margens do rio será definido em cada estado pelo Programa de Regulamentação Ambiental (PRA).

A proposta do governo previa a chamada “escadinha” que definia o tamanho da área a ser recomposta de acordo com o tamanho da propriedade rural, sendo que os pequenos seriam obrigados a recompor menos e os grandes proprietários mais.

Além da discussão da Medida Provisória do Código Florestal, as comissões da Câmara terão uma intensa pauta. Na terça (18), será realizada audiência pública para debater os impactos econômicos do traçado da Ferrovia Norte-Sul em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Foram convidados os ministros dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, e da Agricultura, Mendes Ribeiro.

Já na quarta-feira (19), a presidenta da Petrobras, Graça Foster, apresenta o Plano de Negócios da companhia aos deputados das comissões de Minas e Energia e Fiscalização. No mesmo dia, será realizada audiência pública para discutir as paralisações nas obras da Hidrelétrica de Belo Monte. Para o encontro foi convidado o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, e diretores da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Fonte: AGROLINK (http://www.agrolink.com.br)