15 outubro, 2012

Mendes Ribeiro empossa novo presidente da Embrapa

Durante a posse do novo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes, nesta segunda-feira, 15 de outubro, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Mendes Ribeiro Filho, reiterou a importância em dar continuidade e expansão às pesquisas da Embrapa em nível internacional. “A futura Embrapa Internacional primeiro seguirá todos os trâmites necessários para a sua criação. Em seguida, a empresa auxiliará no desenvolvimento de projetos de cooperação internacional, com o devido reconhecimento”, destacou o ministro.

Em seu discurso durante a posse, Mendes Ribeiro, comentou a escolha do nome para a presidência da Embrapa. “O Maurício tem 30 anos de empresa, é extremamente conceituado. Precisamos de alguém desse porte no cargo. A Embrapa tem quase 40 anos e precisa continuar trabalhando para o futuro do agronegócio brasileiro, para a capacidade da nossa produção”, frisou.

Na ocasião, Maurício mencionou que a Embrapa tem papel importante, o de dar suporte e conhecimento para a construção de políticas públicas para o fortalecimento do ministério, bem como produzir informação e conhecimento para a nossa agricultura. “Pretendemos buscar uma aproximação muito forte com o Mapa para reforçar as nossas estratégias. A Empresa esta desenvolvimento e apresentando soluções para a agricultura o tempo todo”, destacou.

O novo presidente também comentou sobre a atuação internacional da empresa que deverá ser intensificada. “A cooperação técnica internacional é importante para desenvolver pesquisas voltadas ao aumento da produtividade no campo. O treinamento dos nossos profissionais em outros países permitiu que o Brasil mantivesse estreitas relações com pesquisadores no exterior”, lembrou.

A nomeação de Lopes foi publicada na última quarta-feira, 10 de outubro, no Diário Oficial da União (DOU). O técnico é mineiro de Bom Despacho, engenheiro Agrônomo e pesquisador da Embrapa desde 1989. Entre suas principais funções estão a atuação como pesquisador em genética e melhoramentos de plantas. Maurício também já foi diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, cargo que ocupou antes da nomeação.

Fonte: AGROLINK (http://www.agrolink.com.br)

Sorgo - Solos

O cultivo do sorgo, assim como qualquer outra cultura inserida num sistema de rotação e/ou sucessão, necessita de condições mínimas de solo para que a cultura se estabeleça e se desenvolva normalmente. Especialmente no caso da safrinha é importante manejar adequadamente o solo para proporcionar o rápido estabelecimento da segunda safra, uma vez que essa se desenvolverá em condições menos favoráveis especialmente quanto à umidade disponível no solo. Com este enfoque, o sistema de plantio direto (SPD) apresenta vantagens comparativas aos métodos tradicionais de preparo do solo, que envolvem aração e gradagens, devido ao ganho de tempo que se consegue na implantação da cultura em sucessão, com menor consumo de energia e, a maior infiltração da água associado a menor perda por evaporação que resulta em maior conservação de umidade.

Manejo do solo para o cultivo do sorgo

A área cultivada com sorgo deu um salto extraordinário à partir do inicio dos anos 90. O Centro Oeste é a principal região de cultivo de sorgo granífero, enquanto o Rio Grande do Sul e Minas Gerais lideram a área de sorgos forrageiros. O sorgo granífero é cultivado basicamente sob 3 sistemas de produção no Brasil: no Rio Grande do Sul planta-se sorgo na primavera e colhe-se no outono. No Brasil Central a semeadura é feita em sucessão às culturas de verão, principalmente a soja. E no Nordeste a cultura é plantado na estação das chuvas ou de "inverno".

Esse tópico trata basicamente do sorgo plantado após a soja precoce, (ou sorgo safrinha) portanto o manejo do solo deve ser considerado levando em consideração essa sucessão de culturas e não somente o sorgo. O sorgo “safrinha” é definido como sorgo de sequeiro cultivado extemporaneamente, de fevereiro a abril, quase sempre depois da soja precoce, na região Centro-Sul brasileira, envolvendo basicamente os estados de SP, GO, MT, MS, DF, MG e BA A implantação do sorgo safrinha no final do período chuvoso deixa o agricultor na expectativa de ocorrência de déficit hídrico a partir desse período.

Assim, toda estratégia de manejo do solo deve levar em consideração propiciar maior quantidade de água disponível para as plantas. Nesse caso, sempre que possível deve-se optar pelo sistema de plantio direto, pois oferece maior rapidez nas operações, principalmente no plantio realizado simultaneamente à colheita, permitindo o plantio o mais cedo possível. Além disso, um sistema de plantio direto, com adequada cobertura da superfície do solo, permitirá o aumento da infiltração da água no solo e a redução da evaporação. Em algumas áreas de plantio direto, já se constatou aumento do teor de matéria orgânica do solo, afetando a curva de retenção de umidade e aumentando ainda mais o teor de umidade para as plantas.

Embora exista uma grande diversidade de preparo de áreas para o cultivo do sorgo na segunda safra, predomina o emprego do plantio direto permanente (PDP) ou temporário (PDT), visando antecipar a implantação do sorgo “safrinha”. No preparo direto temporário realiza-se a semeadura direta do sorgo “safrinha” e o preparo convencional para a soja. Nesse caso, no verão, tem sido freqüente o preparo com grades. Em áreas com grande infestação de plantas daninhas, no momento da colheita da soja, e quando o agricultor não dispõe de máquina para semeadura direta, utiliza-se o preparo com grades no outono-inverno. Uma desvantagem da grade aradora é que provoca grande pulverização do solo. Alem disso, o uso da grade continuamente no verão e na safrinha por anos sucessivos pode provocar a formação do "pé-de-grade", uma camada compactada logo abaixo da profundidade de corte da grade, a 10-15 cm. Essa camada reduz a infiltração de água no solo, o que, por sua vez, irá favorecer maior escorrimento superficial e, consequentemente a erosão do solo e a redução da produtividade do sorgo safrinha.

Em preparo convencional, o revolvimento da camada superficial do solo tem por objetivo básico otimizar as condições de germinação, emergência e o estabelecimento das plântulas, entretanto também deve ser visto como um sistema que deverá aumentar a infiltração de água, de modo a reduzir a enxurrada e a erosão a um mínimo tolerável. Deve ser levado em consideração que em áreas onde as explorações agrícolas são mais intensivas, a exemplo do plantio da safrinha de sorgo após a colheita da soja, em que o solo é mais intensamente trabalhado, a probabilidade de acelerar sua degradação devido à aração e gradagem, aumentando os problemas de compactação, erosão e redução de sua produtividade, é bem maior. Além disto, é muito importante a redução do tempo entre a colheita da cultura de verão e o plantio do sorgo na sucessão, o que poderá afetar a decisão sobre qual sistema de preparo do solo deverá ser empregado. Não é demais lembrar que as gradagens destorroadoras e de nivelamento diminuem a rugosidade e pulverizam o solo, favorecendo a erosão, portanto, deve haver critérios na sua utilização evitando excessos. O caso do sorgo é típico em que, com freqüência, a recomendação técnica explicita a necessidade de destorroar bem o solo para o plantio, devido ao menor tamanho da semente. Nestes casos, de utilização excessiva de gradagens, provoca uma pulverização do solo na camada superficial, aumentando os riscos de ocorrencai de compactação (pé-de arado ou pé-de-grade) e de erosão.

Com o propósito de minimizar o impacto negativo do preparo do solo deve-se sempre ter em mente que as operações devem contemplar, de uma maneira harmoniosa, não somente o solo mas, também, as suas interações com a água, com vistas ao planejamento integrado visando a sustentabilidade da atividade. Neste sentido a área agrícola deve ser cuidadosamente planejada.

Em função das condições locais de clima e solo elabora-se o planejamento conservacionista da glebas que deverá ser dotado de sistema de terraceamento, em nível ou com gradiente e canais escoadouros. Conforme o tipo de solo e a declividade os terraços poderão ser de base larga (declividade menor que 12%) ou base estreita (declividade até 18%). Acima desta declividade os riscos de degradação do solo aumentam, não sendo recomendado o seu uso com culturas anuais.Uma das maneiras de reduzir a compactação é alternar a profundidade de preparo do solo.

É importante também atentar para as condições de umidade do terreno por ocasião de seu preparo. O ponto de umidade ideal é aquele em que o trator opera com o mínimo esforço, produzindo os melhores resultados na execução do serviço. Com o solo muito úmido aumentam os problemas de compactação. Há maior adesão da terra nos implementos, chegando a impedir a operação. Em solo muito seco é preciso um número maior de passadas de grade para quebrar os torrões exigindo maior consumo de combustível. Com isso, o custo de produção fica maior e o solo pulverizado.

A eficiência do SPD tem sido atribuída ao estabelecimento de uma camada de cobertura do solo com resíduos vegetais, que seja persistente ao longo do tempo e que cubra a maior parte da superfície do solo. A cobertura morta atua na proteção contra o impacto das gotas de chuva e da ação de ventos, reduzindo a erosão, protegendo o solo contra o efeito de raios solares, reduzindo a evaporação, a temperatura do solo e a amplitude térmica e hídrica, incorporando matéria orgânica ao solo, necessária a uma atividade microbiana intensa e permitindo maior reciclagem de nutrientes. Neste aspecto a relação C:N da espécie utilizada para cobertura do solo é de grande importância, pois reflete a velocidade com que a decomposição do material pode se processar. Neste particular a cultura do sorgo ocupa posição de destaque pois a sua palhada possui uma relação C:N elevada o que concorre para a sua persistência na superfície do solo. Soma-se a isto, ainda, a possibilidade de adoção de menores espaçamentos para o sorgo o que é decisivo na taxa de cobertura do solo com plantas em crescimento conferindo-lhe maior proteção contra a erosão e, também, com um sistema radicular mais bem distribuído possibilitando explorar intensamente maior volume de solo, reciclando mais nutrientes e, depois, formando uma rede de canalículos por toda a extensão da camada superficial do solo.

São reconhecidas duas fases distintas no processo de adoção do SPD com relação a formação de palhada sobre o solo. A primeira delas, de estabelecimento, que dura até que se consiga uma quantidade adequada de palha sobre a superfície do solo. A duração desta fase é variável conforme a região e normalmente é conseguida depois de alguns anos de adoção do sistema. Espécies como o sorgo devem ser incluídas nesta fase devido à palhada mais persistente. A outra fase é a de manutenção do sistema após ter-se estabelecido a cobertura do solo com palha.

O sistema somente se estabilizará quando estiver instalado um esquema de rotação de culturas. A combinação de espécies com diferentes exigências nutricionais, produção de fitomassa e sistema radicular torna o sistema mais eficiente, além de facilitar o controle integrado de pragas, doenças e plantas daninhas. O sorgo é uma cultura que apresenta algumas vantagens comparativas especialmente em regiões onde a distribuição das chuvas é errática. Ele apresenta um sistema radicular profundo que além da reciclagem de nutrientes confere maior tolerância ao déficit hídrico possibilitando ainda, quando da sua ocorrência, uma rápida recuperação do crescimento. Adicionalmente ele apresenta rebrota que, dentre outros usos, poderá contribuir no aporte de material vegetal para a formação de palhada.

Por se tratar de um sistema complexo, o plantio direto exige o envolvimento de várias culturas e, muitas vezes, uma associação de agricultura e pecuária onde, mais uma vez, o sorgo aparece como ótima opção devido aos seus usos múltiplos na pecuária. Recentemente a Embrapa lançou uma tecnologia, o Sistema Santa Fé, onde o sorgo, juntamente com o milho, são as melhores opções para cultivo associado às braquiárias em plantio direto com vistas à produção de grãos, forragem conservada (silagem ou feno), pasto para a entressafra e palhada para o plantio direto.

A habilidade das plantas em explorar o solo, em busca de fatores de crescimento, depende grandemente da distribuição de raízes no perfil do solo, que por sua vez, são dependentes das condições físicas e químicas, as quais, são passíveis de alterações em função do manejo aplicado. Uma destas alterações de maior impacto é a compactação. Ela aparece geralmente abaixo da camada revolvida pela ação dos implementos de preparo do solo, especialmente arado de discos e grades, ou na superfície devido ao tráfego.

Em situações onde a compactação ainda não é muito intensa é possível contornar o problema modificando o sistema de manejo de solo e de rotação de culturas incluindo plantas de sistema radicular mais vigoroso, capaz de penetrar em solos que ofereçam maior resistência à penetração. Neste aspecto o sorgo apresenta grande potencial como cultura recuperadora de solo pois possui um sistema radicular abundante com capacidade de crescer em profundidade, especialmente devido às raízes de menor diâmetro. Como a taxa de crescimento de raízes se dá primeiramente devido à resistência oferecida pelo solo à penetração do que pela pressão que elas possam exercer, as raízes de menor calibre como as do sorgo certamente encontram menor resistência ao aprofundamento no solo em relação àquelas de maior diâmetro, por exemplo, as da soja. Isto é de importância fundamental pois os canalículos deixados após a sua decomposição passam a funcionar como verdadeiras galerias para a penetração de raízes mais grossas, o que de certa forma facilita a diversificação de espécies, aumentando as possibilidades para a rotação de culturas.

Caso a compactação seja mais intensa o rompimento da camada deve ser feito com implemento que alcance a profundidade imediatamente abaixo da zona compactada. É importante salientar que os equipamentos de discos são ineficientes nessa operação.

Entretanto, para que os maiores benefícios advindos do manejo do solo sejam alcançados é necessário que haja um planejamento prévio. Os equipamentos e as máquinas disponíveis também tem de ser levados em consideração para a tomada de decisão de como fazer o preparo do solo, os tratos culturais, a colheita e de como manejar os resíduos da cultura visando a próxima safra. A recomendação é a de que aração e gradagens sejam eliminadas como métodos de manejo do solo devido ao impacto negativo sobre o solo e ao meio ambiente. É extremamente desejável planejar as atividades com vistas à introdução de sistema SPD e de integração lavoura-pecuária que possibilitam o uso intensivo e sustentável do recurso solo. Somente com a tomada de consciência de que todas estas etapas são igualmente importantes e que o produto final, a produtividade, vai refletir aquela etapa que for executada com pior qualidade é que se conseguirá eficiência no manejo do solo.

Em outras palavras, em nada adiantará alta eficiência nas atividades se, em apenas uma delas, houver descuido. Esta falha vai nivelar por baixo a produtividade, com graves prejuízos ao produtor. Disto se conclui que o manejo do solo deve contemplar, de maneira harmoniosa, atividades relacionadas ao solo, às plantas e aos seus resíduos visando maximização da produtividade sem perder de vista os seus efeitos no manejo e na conservação do solo e da água.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Sorgo - Clima

O sorgo é uma planta de clima quente, apresentando características xerófilas e mecanismos eficientes de tolerância à seca. Possui variedades adaptadas a diferentes zonas climáticas, inclusive às temperadas (frias), desde que nesses locais ocorra estação estival quente com condições capazes de permitir o desenvolvimento da cultura. A produtividade do sorgo está relacionada com diversos fatores integrados (interceptação de radiação pelo dossel, eficiência metabólica, eficiência de translocação de produtos da fotossíntese para os grãos, capacidade de dreno). As relações de fonte e dreno dependem de condições ambientais e características genéticas, e as plantas procuram se adaptar a tais condições apresentando respostas diferenciadas.

Embora o sorgo responda à interação dos diversos fatores edafoclimáticos, os de maior influência sobre a cultura são a temperatura do ar, a radiação solar, a precipitação e a disponibilidade de água no solo. As variedades de sorgo revelam consideráveis diferenças, no que tange às características da planta e do grão (ver Cultivares), bem como às respostas fisiológicas aos fatores ambientais (ver Ecofisiologia).

Em relação às principais variáveis de clima, a temperatura ótima para o desenvolvimento de cada plantio varia conforme a cultivar considerada. De uma forma geral, a literatura internacional tem mostrado que temperaturas superiores a 38 oC ou inferiores a 16 oC limitam o desenvolvimento da maioria das cultivares. Um aumento 5 oC em relação à temperatura ótima noturna pode implicar numa redução de até 33% da produtividade, uma vez que ocorre um aumento da taxa de respiração noturna. A cada 1 grau centígrados de aumento da temperatura noturna, a respiração aumenta em torno de 14%.

Por pertencer ao grupo de plantas C4, o sorgo suporta elevados níveis de radiação solar, respondendo com altas taxas fotossintéticas, minimizando a abertura dos estômatos e conseqüente perda d'água. Assim, o aumento da intensidade luminosa implica em maior produtividade, sempre que as demais condições sejam favoráveis.

O uso consuntivo (consumo) de água pelo sorgo varia entre 380 e 600 mm durante o ciclo da cultura, dependendo principalmente das condições climáticas dominantes (Sans et al., 2003). A quantidade de água absorvida pelas plantas varia de acordo com o estádio de crescimento e desenvolvimento da cultura (ver mais detalhes em Ecofisiologia). A pesar disso, o sorgo possui resistência relativamente boa à dessecação, tendo mostrado capacidade de se recuperar após um período de seca. Mesmo após um período prolongado de murchamento, em apenas 5 dias com condições ambientais propícias o sorgo pode recuperar a abertura dos estômatos, retornando às atividades fisiológicas normais (Sans et al., 2003). Embora seja uma cultura resistente a estresse hídrico, o sorgo também sofre efeito do déficit hídrico, chegando a reduzir consideravelmente a produtividade quando submetido a estresse. O déficit hídrico tem influência direta na taxa fotossintética, a qual está associada diretamente com a produção de grãos. A perda de produtividade em função da exposição da cultura a déficit hídrico varia principalmente em função do estádio fenológico das plantas, do tempo de duração do estresse e do genótipo das plantas.

Quanto ao solo, o sorgo é uma cultura tolerante a diversas condições de solo, podendo ser cultivado satisfatoriamente em solos que variam de argilosos a ligeiramente arenosos. Embora sobreviva melhor que outros cereais em solos arenosos e de baixa fertilidade, tem preferência por solos bem preparados, com acidez corrigida, ricos em matéria orgânica, pH entre 5,5 e 6,5, topografia plana e sem excesso de umidade. Assim, apresenta maior produtividade nos solos ricos em matéria orgânica, profundos, de boa drenagem e com topografia plana e/ou declividade inferior a 5%. Os solos aluviais prestam-se muito bem ao cultivo do sorgo, desde que adequadamente preparados. Os solos mal drenados são os únicos que não se recomendam para esta cultura.

Considerando as características da cultura, a época de semeadura em cada local deve ser determinada em função das condições ambientais (temperatura, fotoperíodo, distribuição das chuvas e disponibilidade de água do solo) e da cultivar (ciclo, fases da cultura e necessidade térmicas das cultivares), estimando o(s) período(s) em que a cultura tem maior probabilidade de se desenvolver em condições edafoclimáticas favoráveis (ver Zoneamento).

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate

Importância Econômica
Composição Nutricional
Clima
Solos
Adubação
Deficiências Nutricionais*
Plantio
Irrigação*
Plantas Daninhas*
Pragas*
Doenças*
Colheita e pós-colheita
Processamento
Produção de Mudas

10 outubro, 2012

Tomate - Processamento

O sistema agroindustrial de tomate no País é caracterizado por uma cadeia agroalimentar. A industrialização propriamente dita compreende a indústria de transformação primária e a indústria de transformação secundária, as quais se integram e se complementam (Figura 1).

Transformação primária, estrutura e organização

O segmento de transformação primária, que consiste na obtenção de produtos intermediários destinados ao posterior processamento e/ou à fabricação de produtos formulados, não é padronizado, e o modelo adotado encontra-se em fase de evolução. Como parte dessas transformações, observa-se a relocação das indústrias processadoras tradicionais e a implementação de novas companhias junto às atuais fronteiras agrícolas que estão sendo abertas na Região do Cerrado, englobando Minas Gerais e Goiás.

A presença de pequenas empresas independentes ainda não é dominante no setor, mas as atualmente existentes têm se equipado com tecnologia moderna, visando otimizar o processo industrial, com o propósito de atender às demandas do mercado nacional e internacional.

A pouca qualidade da matéria-prima, a baixa produtividade agrícola e a má localização de algumas plantas industriais são os principais entraves para a melhoria do nível de desempenho do setor.

O Brasil apresenta algumas vantagens em relação à maioria dos países do Mercosul em termos de fatores edafoclimáticos e de estrutura de produção. Nos últimos dez anos, tem ocorrido grande evolução do segmento produtivo brasileiro – o qual vem abandonando um modelo com forte verticalização da produção em detrimento de modelos em que ocorre a formação de complexos agroindustriais fornecedores de produtos semi-industrializados para as indústrias de alimentos formulados. Entretanto, o País apresenta ainda algumas desvantagens quando comparado com países como o Chile, principalmente com relação ao custo da produção.

Em termos de Mercosul, as atenções voltam-se para a possibilidade de parcerias com o Chile, pois o Uruguai e o Paraguai não têm condições de operar, no presente momento, no segmento da cadeia produtiva do tomate. Na Argentina, o cultivo do tomate industrial não conseguiu, até hoje, atingir níveis de competitividade.

No segmento de transformação secundária (produtos acabados), vem ocorrendo grande diversificação de derivados do tomate, procurando-se adequar as linhas de produtos às reais necessidades do público consumidor. Desse modo, a fabricação de produtos mais concentrados vem sendo gradativamente substituída pela de produtos menos concentrados e mais sofisticados em termos de ingredientes e de sabor, tais como sucos temperados e molhos condimentados, contendo tomate cubeteado ou triturado. Esses tipos de produtos visam atender a mercados com público mais exigente e com gosto mais diversificado.

O segmento de produtos acabados é complexo, pois além de atuar em área de grande competitividade em qualidade e preço, depende diretamente do desempenho do setor agrícola. E o setor agrícola, por sua vez, não tem condições de atender, em curto prazo, a grandes demandas em termos de qualidade e de produtividade.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Colheita e pós-colheita

O período necessário para a maturação dos frutos depende da cultivar, do clima da região, do estado nutricional e da quantidade de água disponível para as plantas. Quando submetidas a estresse, as plantas tendem a reduzir o ciclo. A maioria das cultivares plantadas no Brasil é colhida com aproximadamente 110 a 120 dias após a germinação ou 90 a 100 dias do transplante (Figura 1).

Figura 1: Cultura em ponto de colheita.

Colheita manual de tomate - A colheita manual (Figura 2) é geralmente feita em duas etapas. A primeira, quando 70% a 80% dos frutos estão maduros, e a segunda, cerca de dez a quinze dias após a primeira colheita. É possível realizar a colheita em uma única etapa utilizando-se cultivares de maturação concentrada, desde que o período de maturação coincida com dias quentes e não ocorra excesso de fornecimento de nitrogênio. Pode-se também acelerar a maturação dos frutos reduzindo as irrigações aproximadamente 90 dias após germinação, e/ou quando cerca de 20% dos frutos encontram-se maduros. A decisão de fazer uma segunda colheita irá depender do preço do tomate e da quantidade de frutos a serem colhidos nessa etapa, levando-se sempre em conta que os custos da segunda colheita são maiores e que a qualidade do produto é inferior.

Figura 2: Colheita manual.

Se a lavoura estiver com maturação muito irregular, não se deve esperar o amadurecimento da maioria dos frutos, pois as pencas inferiores podem apodrecer. Nesse caso, faz-se a primeira colheita antes que se inicie o apodrecimento dos frutos das primeiras pencas. Na segunda colheita, parte dos frutos ainda está verde ou em fase de maturação, exigindo maior vigilância para que não se ultrapassem os limites mínimos de qualidade, principalmente quanto à presença de frutos com escaldadura, amarelados, verdes e podres.

Colheitas antecipadas – para evitar o apodrecimento de frutos ou para destinar parte da produção ao mercado de frutos in natura – têm o inconveniente de causar uma exposição dos remanescentes à radiação solar direta, o que resulta em escaldadura dos mesmos, prejudicando a qualidade.

A colheita deve ter início nos carreadores, procedendo-se simultaneamente ao deslocamento dos ramos para cima dos canteiros (penteamento), deixando livre o carreador para o trânsito de veículos e de pessoas. Os operários devem ser distribuídos em grupos de cerca de 30 pessoas, comandados por um fiscal encarregado de contabilizar a produção, fazer o controle de qualidade, orientar os operários para não danificarem as plantas e controlar a distribuição da caixaria. As caixas usadas na colheita são do tipo Cruzeiro, com capacidade para 20 a 22 kg.

Colheita mecanizada - Atualmente, a maior parte da colheita vem sendo feita com colheitadeira mecânica (Figura 3). Os equipamentos atualmente em uso no Brasil são automotrizes que cortam as plantas rente ao solo, sendo a parte aérea recolhida e os frutos destacados por meio de intensa vibração. Essas colhedeiras têm capacidade de colher cerca de 15 toneladas por hora, o que corresponde a aproximadamente 3 ha/dia.

Figura 3: Colheita mecanizada.

O uso de cultivares com maturação concentrada e com frutos firmes contribui para o sucesso da colheita mecanizada. As cultivares mais indicadas para esse tipo de colheita devem apresentar maior capacidade de permanência em campo, folhagem sadia, frutos firmes e baixa percentagem de frutos podres ao atingirem o estádio de maturação.

A colheita mecanizada reduz a qualidade da produção por causar mais danos aos frutos e resultar em maior acúmulo de impurezas junto ao produto colhido, quando comparada à colheita manual. Além disso, as colhedeiras necessitam de um bom serviço de assistência técnica e manutenção para perfeito funcionamento. Do ponto de vista sanitário, o uso da colheita mecanizada é vantajoso, pois diminui o trânsito de pessoal e de caixas nas lavouras, reduzindo a disseminação de pragas e de doenças. A colheita mecanizada também favorece a programação da colheita; pois, além de depender de um menor número de pessoas, não depende da disponibilidade de caixas de plástico para armazenamento e transporte da produção.

Transporte - O transporte do tomate nas principais regiões produtoras é feito a granel (figura 4). O transporte a granel facilita a descarga nas fábricas, reduzindo o gasto com mão-de-obra e os custos de aquisição, transporte e manuseio das caixas. Entretanto, o transporte a granel exige que a cultivar possua frutos menos sujeitos a danos mecânicos para minimizar perdas.

Figura 4: Uma das formas de transporte.

Apesar de a maior parte da produção de tomate para as indústrias processadoras ser feita a granel, esse tipo de transporte resulta em perdas para o produtor e para as indústrias. Para o produtor, ocorre perda pela drenagem do suco, que geralmente é feita antes da pesagem; na indústria, é resultante da perda de suco de frutos amassados na água de descarga e nas piscinas. Além da perda quantitativa, o transporte a granel também reduz a qualidade da matéria-prima, pois os frutos amassados são facilmente contaminados por fungos e bactérias.

Destruição dos restos da cultura – Imediatamente após a colheita, deve-se providenciar a destruição dos restos culturais, por meio de aração, visando reduzir a proliferação de pragas e doenças. Porém, antes de se fazer essa operação, é necessário descompactar pelo menos as faixas dos carreadores, usando subsoladores. Na indisponibilidade de equipamentos, deve-se enleirar e queimar os restos culturais.

Qualidade - O tomate destinado ao processamento deverá apresentar coloração vermelho-intensa e ser uniforme, sem pedúnculo, fisiologicamente desenvolvido, maduro, limpo, com folha de textura firme e avermelhada, livre de danos mecânicos e fisiológicos e de pragas e doenças. No entanto, a presença de frutos com defeitos é tolerada dentro dos limites estabelecidos pela Portaria nº 278, de 30 de novembro de 1988, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Tabelas 1 e 2). Além dos cuidados com a qualidade, na primeira colheita ainda devem ser observados os seguintes pontos: não colocar as caixas sobre as plantas, não revolver as plantas em demasia, não permitir que os operários transitem sobre os canteiros e se assentem sobre as plantas.

No transporte a granel, o carregamento deverá ter início quando existir uma quantidade de caixas cheias que permita completar a carga do caminhão. A operação deverá ser feita o mais rápido possível, para evitar a compactação excessiva das camadas inferiores dos frutos. O período entre o início do carregamento e a descarga na indústria deve ser o menor possível. Ao lado da carroceria do caminhão, colocam-se suportes metálicos removíveis, que servem de sustentação para uma tábua de aproximadamente 60 cm de largura e 2 m de comprimento, onde ficam dois operários para receber as caixas cheias e derramá-las dentro da carroceria. O esvaziamento das caixas por operários no interior da carroceria do caminhão deve ser evitado, porque o pisoteio excessivo causa muitos danos nos frutos.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Doenças - Talo-oco e podridão mole dos frutos (Erwinia spp.)

Essas doenças são causadas principalmente por Erwinia carotovora subsp. Carotovora e por E. chrysanthemi. Esta última ocorre em locais com temperaturas mais elevadas. Essas bactérias são as responsáveis pelas podridões em tomate (Figura 1) e penetram pelos ferimentos, daí a importância de controlar os insetos que provocam furos nos frutos. Podem se tornar problema de importância econômica em períodos de temperatura e umidade elevadas.

Figura 1: Frutos apodrecidos atacados por Erwinia spp.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Doenças - Murcha-bacteriana (Ralstonia solanacearum)

Associada a solos muito encharcados e à alta temperatura, esta doença é mais problemática no verão e em regiões de clima mais quente. A bactéria pode permanecer por vários anos no solo. Ocorre a murcha da planta (Figura 1), de cima para baixo, a partir do início da floração, mas as folhas permanecem verdes. A parte inferior do caule se torna amarronzada e ocorre a exsudação de um pus bacteriano quando se faz o "teste-do-copo", que consiste em colocar um pedaço de caule da planta suspeita em um copo com água: em caso positivo, observa-se a exsudação de um pus bacteriano na água.

Figura 1: Plantas murchas, sintoma de murcha-bacteriana.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Doenças - Pinta- bacteriana (Pseudomonas syringae pv. tomato)

Também conhecida por mancha-bacteriana pequena ou pústula-bacteriana, é muito freqüente em condições de temperaturas amenas (18 a 24 °C) e alta umidade. Ataca toda a parte aérea da plantas. É primeiramente observada nas folhas baixeiras, na forma de pequenas manchas necróticas de coloração marrom, normalmente circundadas por um halo amarelo. Os sintomas são mais característicos nos frutos, com a formação de pontuações negras, superficiais, que podem ser arrancadas com a unha (Figura 1). O ataque durante a floração pode provocar intensa queda de flores.

Figura 1: Pinta-bacteriana (esq.); mancha-bacteriana no fruto (dir.).

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Doenças - Mancha-bacteriana (Xanthomonas campestris pv. vesicatoria)

Esta doença é favorecida por temperaturas mais altas (20 a 30 °C). Apresenta sintomas foliares bastante semelhantes aos da pinta-bacteriana (Figura 1). Nos frutos, porém, as lesões são maiores, mais claras e mais profundas que as da pinta-bacteriana (Figura 2). Também provoca queda de flores quando o ataque ocorre por ocasião do florescimento.

Figura 1: Mancha-bacteriana: lesões grandes nos frutos e queima nas folhas.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Frente fria deve provocar chuva forte em parte de MT nesta quarta

Nesta quarta-feira (10), uma frente fria que atua no Sul do país deixa o dia chuvoso no Oeste e Sul de Mato Grosso. Nestas áreas pode chover e ventar fortemente, conforme aponta o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe).

Segundo o Inpe, a temperatura estará em declínio pela metade Sul do Brasil e, na quinta-feira (11), o declínio ocorrerá sobre Mato Grosso. O órgão aponta ainda que no Leste do estado a umidade relativa do ar ficará abaixo dos 30%.

No Norte do estado a temperatura máxima deve chegar a 42°C. Em Campos de Júlio, os termômetros ficam entre os 20°C e 31°C. Em Itaúba deve fazer até 33°C e pode chegar a 34°C em Cuiabá. Em Nova Maringá, o dia deve começar com 22°C e a tarde pode fazer até 35°C.

Fonte: AGROLINK (http://www.agrolink.com.br)

Tomate - Doenças - Cancro-bacteriano (Clavibacter michiganensis subsp. michiganensis)

É pouco frequente em tomateiro rasteiro, comparativamente ao tomateiro envarado, certamente em função do menor manuseio. Os sintomas de infecção sistêmica são a descoloração vascular e a murcha total ou parcial das plantas, resultando na queima dos bordos dos folíolos. A infecção localizada caracteriza-se por pequenos cancros cor de palha (Figura 1), facilmente observáveis nos pedúnculos, e manchas do tipo olho-de-perdiz nos frutos (Figura 2).

Figura 1: Mancha nas bordas do folíolo, sintoma de cancro bacteriano.
Figura 2: Necrose tipo olho-de-perdiz, sintoma de cancro bacteriano.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Plantio

Atualmente, quase todas as áreas cultivadas com tomateiro destinado ao processamento industrial são plantadas com mudas produzidas em bandejas e transplantadas com auxílio de máquinas ou até mesmo manualmente, dispensando-se o uso de canteiros.

Para esse sistema, utiliza-se primeiramente um equipamento distribuidor de fertilizante dotado de sulcadores, distribuídos com espaçamento correspondente ao do sistema de distribuição de mudas da transplantadeira mecânica. No ato da distribuição do fertilizante, promove-se, então, o sulcamento e a fertilização, aplicando-se o fertilizante imediatamente atrás do sulcador.

Na operação de transplante, o sistema de distribuição de mudas dispõe de um sulcador que é regulado para coincidir com a linha anteriormente fertilizada, visando promover a incorporação do fertilizante no solo e evitar o contato direto das raízes das mudas com o fertilizante.

Métodos de plantio

O sistema de transplante tem como vantagens: menor gasto de sementes; menor tempo de permanência da planta no campo; redução das despesas com irrigações e pulverizações; e redução dos níveis de infecção precoce por Geminivírus e Tospovírus (ver capítulo de doenças). Em razão do alto custo do transplante manual – que é muito trabalhoso e demorado, exigindo de oito a dez dias-homens/ha –, este sistema somente se viabilizou com a introdução das máquinas transplantadeiras (Figura 1). Entretanto, a produção de mudas tem de ser feita sob rigoroso controle sanitário para evitar que elas sejam foco de disseminação de pragas e doenças.

Figura 1: Transplante mecanizado de mudas.

A introdução do sistema de transplante de mudas viabilizou, ainda, a utilização de cultivares híbridas, cujas sementes têm custo muito superior ao das cultivares de polinização aberta. O modelo de transplantadeira atualmente comercializado no Brasil tem capacidade para transplantar cerca de 120 mil mudas/dia, correspondendo ao plantio de quatro hectares de lavoura, empregando mudas produzidas em bandejas.

No transplante, utilizam-se fileiras simples, distanciadas de 1,0 a 1,2 m, com cinco plantas por metro linear, o que corresponde a uma população variável de 42 mil a 50 mil plantas/ha. Atualmente, com a utilização de cultivares híbridas mais vigorosas, existe a tendência de se utilizar, na Região Centro-Oeste, populações de 30 mil a 35 mil plantas por hectare; porém, em algumas regiões, vêm sendo utilizadas menos de 30 mil plantas por hectare.

Com transplantadeira mecânica e fileira simples, o espaçamento é de 1,0 m entre linhas e três plantas por metro linear, resultando em uma população de 30 mil plantas/ha. Com fileiras duplas, o espaçamento mais utilizado é o de 1,2 m entre as fileiras duplas e 0,7 m entre as linhas de cada fileira dupla.

Plantios adensados dificultam os tratos culturais e propiciam o aumento da umidade na superfície do solo, o que favorece o ataque de fungos causadores de podridões.

Plantio direto na palha

Esse sistema consiste em efetuar o plantio das sementes ou o transplantio das mudas sem realizar o preparo do solo com aração e gradagem, mantendo a palha da cultura anterior (Figura 2). A presença da palha protege a terra contra o impacto da chuva ou da irrigação por aspersão, favorece o controle de plantas daninhas e cria um ambiente favorável ao bom desenvolvimento do sistema radicular do tomateiro.

Figura 2: Cultura de tomate utilizando o sistema de plantio direto na palha.

Recentemente, o transplantio de mudas de tomateiro direto na palha vem sendo avaliado e introduzido na Região Centro-Oeste. Esse sistema tem como principais vantagens a melhor conservação do solo e o menor uso de máquinas na lavoura.

Nas regiões onde o tomateiro é cultivado em solos de cerrado, existe a dificuldade de implantação de culturas para a produção de palha visando à cobertura do solo. Entre as alternativas de sucessão, pode-se usar o arroz ou o milho, visando à produção de grão, ou o milheto, apenas para a produção de palhada. Como o tomateiro é plantado no período de março a meados de junho, as espécies anteriormente mencionadas são boas alternativas.

O milheto é semeado aproximadamente 55 dias antes do transplantio, utilizando-se 20 kg de sementes por hectare. O semeio pode ser feito a lanço, incorporando as sementes com uma grade niveladora.

A aplicação do herbicida visando à dessecação é feita aproximadamente 45 dias após a germinação e 10 dias antes do transplantio. O tombamento da palha do milheto pode ser feito com grade leve fechada, rolo faca ou pneu deitado, antes ou após a dessecação.

A adubação para o tomateiro é feita na profundidade de 7 a 12 cm, para evitar que as raízes das mudas entrem em contato direto com o fertilizante. Essa operação é realizada com uma adubadeira adaptada com um disco de corte e um sulcador denominado "botinha", que atua como um pequeno subsolador que trabalha à profundidade de aproximadamente 20 cm. Imediatamente atrás do sulcador, é colocada a saída de fertilizante. O número de distribuidores de fertilizantes colocados na barra de ferramentas da adubadeira e a distância entre eles deve ser igual ao número de distribuidores de mudas e a distância entre eles, para que haja coincidência das linhas e não ocorra deficiência de nutrientes em função do desvio entre as linhas de adubação e de transplante.

O maior aproveitamento da produção em função da redução das perdas por podridões e a bonificação recebida pela alta qualidade da matéria-prima têm incentivado o uso dessa técnica.

Semeadura direta

No caso de plantio por semeadura direta em fileiras simples, deve-se fazer uma ou duas gradagens e, logo a seguir, as operações de encanteiramento, sulcagem, adubação e semeadura. Quando os solos são do tipo leve e bem drenados, pode-se dispensar o levantamento de canteiros, principalmente quando se dispõe de sulcadores bem adaptados para fazer uma boa operação de amontoa. Se o plantio for em fileiras duplas, utiliza-se o rotoencanteirador e, sobre os canteiros, é feita a semeadura com semeadeira-adubadeira. Esse processo dispensa outra gradagem.

A adaptação de um distribuidor de adubo entre o trator e o rotoencanteirador possibilita aplicação e incorporação do fertilizante na mesma operação. O rotoencanteirador exige grande potência do trator e o trabalho é realizado em marcha reduzida, resultando em baixo desempenho. Além do elevado consumo de energia, as enxadas rotativas pulverizam o solo, destruindo sua estrutura. Adaptando-se dois sulcadores laterais a uma distribuidora de adubos, faz-se simultaneamente a adubação, incorporação do adubo e levantamento dos canteiros. Em seguida, passa-se o rotoencanteirador, regulado para triturar apenas a camada superior do canteiro. Dessa forma, o encanteirador não pulveriza o solo, auxilia na incorporação e na melhoria da distribuição do adubo e exige menor potência do trator.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Produção de mudas

A produção de mudas pode ser feita em bandejas de isopor e tem a vantagem de facilitar a semeadura e o manuseio das mesmas; permitir melhor controle sanitário e nutricional; facilitar o transporte para o local definitivo; e reduzir a necessidade de replantio.

Recomenda-se utilizar bandejas com 200 células. Entretanto, alguns viveiristas têm utilizado bandejas com 288 células, com tendência para se utilizar bandejas com até 400 células. Nesse caso, em função do pequeno volume de substrato disponível em cada célula, as mudas se formam com pequeno volume de raízes, aumentando o risco de ocorrência de deficiência nutricional. Recomendam-se, portanto, adubações complementares e regulares com macro e micronutrientes.

As mudas devem ser uniformes, evitando-se o uso daquelas muito pequenas, que ficam facilmente enterradas, e de mudas muito estioladas, que são facilmente danificadas durante o transplante com máquinas.

A estrutura de proteção (Figura 1) para a produção das mudas deve ser coberta com plástico apropriado e fechada lateralmente com tela de malha estreita, para impedir a entrada de insetos, principalmente os afídios. Em locais com temperatura elevada e baixa umidade relativa é recomendável a colocação de tela do tipo sombrite, com 60% de sombra, na parte interna da casa de vegetação, a uma altura de 2,5 m, para reduzir a evapotranspiração.

Figura 1: Telados para produção de mudas.

As bandejas devem ser colocadas sobre suportes para que fiquem a 30 cm do solo (Figura 2). O sistema mais comum e barato para construção dos suportes consiste em esticar fortemente dois ou três fios paralelos de arame de aço galvanizado, distanciados de 45 cm quando utilizar dois fios, ou 15 cm quando utilizar três fios, para sustentar cada fileira de bandejas. De dois em dois metros são colocados suportes para evitar o arqueamento dos fios (Figura 3 e Figura 4).

Figura 2: Bandejas com mudas e estrutura para suporte das bandejas.
Figura 3: Estrutura para suporte das bandejas.
Figura 4: Detalhe esquemático para construção do suporte das bandejas.

Para enchimento das células das bandejas, utiliza-se um substrato composto por vermiculita expandida, casca de pinus, casca de arroz carbonizada e fertilizantes. Nas bandejas de 200 células, cada célula recebe de 10 a 15 g de substrato, o que equivale a cerca de 4,2 litros de substrato por bandeja. Esse substrato pode ser adquirido comercialmente ou produzido na propriedade, desde que se teste a proporção dos ingredientes, antes de se iniciar a produção de mudas em grande escala.

Após o enchimento das células, faz-se a compactação do substrato e a abertura dos furos com 1 cm de profundidade (um furo por célula). Coloca-se uma ou duas sementes por furo, recobrindo-as em seguida com substrato peneirado ou com vermiculita pura de granulometria média ou fina. Gastam-se aproximadamente 90 a 100 g de sementes para produzir mudas para um hectare. Para produção de mudas em grande escala, a semeadura nas bandejas pode ser feita por máquinas automáticas de precisão que têm rendimento de 120 a 300 bandejas por hora (Figura 5). Após a semeadura, as bandejas são umedecidas e armazenadas em pilhas, por 72 horas, em um galpão coberto. Durante esse período, as sementes iniciam o processo de germinação, em seguida as bandejas são transferidas para as casas de vegetação ou telados.

Figura 5: Máquina para semeadura em bandejas.

Independentemente do número de células na bandeja, é relativamente pequeno o volume de substrato contido em cada célula e a quantidade de água retida. À medida que as mudas se desenvolvem, a água disponível se esgota em períodos cada vez mais curtos, exigindo irrigações cada vez mais freqüentes.

Durante o crescimento das mudas, pode haver o esgotamento de nutrientes, ocasionando sintomas de deficiência, principalmente de nitrogênio. Para a correção da deficiência, faz-se a aplicação de uréia a 0,5% ou fosfato monoamônico a 0,5% pela água de irrigação ou por via foliar, juntamente com a pulverização de agrotóxicos. Dependendo da composição do substrato pode ser necessário aplicar outros nutrientes. Nesse caso, recomenda-se um fertilizante foliar formulado com micro e macronutrientes, seguindo a recomendação do fabricante. A aplicação de nutrientes e a irrigação na fase de produção de mudas deverão ser uniformes evitando-se, desse modo, que as mudas fiquem desuniformes, dificultando as operações de transplante e colheita.

Na semana que antecede ao transplante, deve-se proceder o "endurecimento" das mudas, reduzindo a quantidade de água e o fornecimento de nitrogênio. Essa técnica evita que as mudas fiquem muito vigorosas e tenras, facilitando o transplante mecanizado e melhorando o seu pegamento.

Quando são utilizadas bandejas de isopor, as mudas são transplantadas no mesmo estádio que aquelas produzidas em sementeiras (4 ou 5 folhas definitivas). Nessa fase, as mudas encontram-se perfeitamente enraizadas, dando bastante consistência ao torrão (Figura 6). Deve-se fazer uma irrigação no momento que antecede ao transplante. Geralmente as bandejas são mergulhadas em uma solução contendo fungicidas (Metalaxyl + Mancozeb) e inseticida (Imidacloprid), com a finalidade de proteger as mudas durante os primeiros dias após o transplante.

Figura 6: Muda no estádio ideal para transplante.

As bandejas e as caixas utilizadas no transporte de mudas devem ser lavadas e desinfestadas após cada utilização, submergindo-as em uma solução contendo 2% de hipoclorito de sódio (água sanitária) por aproximadamente um minuto.

O transporte das mudas dentro da propriedade é feito geralmente em carretas. Quando o viveiro encontra-se distante da área de plantio, utilizam-se para o transporte estruturas metálicas montadas na carroceria de caminhões (Figura 7), protegidas com plástico de uso agrícola, para evitar a desidratação rápida das mudas. Para o transporte a longa distância, são utilizados caminhões com carroceria do tipo baú.

Figura 7: Estrutura para transporte de mudas em caminhões.

As mudas transportadas para o local de plantio devem ser protegidas com sombrite (Figura 8) e irrigadas freqüentemente, para evitar o seu rápido dessecamento, enquanto se aguarda o transplante.

O transplante (Figura 9), deve ser realizado com o solo umedecido. Para isso deve ser feita a irrigação com antecedência.

Figura 8: Proteção das mudas no campo enquanto se aguarda o transplante.
Figura 9: Transplante mecanizado.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Adubação

0 tomateiro é considerado, dentre as hortaliças, uma das espécies mais exigentes em adubação. Portanto, conhecer as exigências nutricionais, os principais sintomas de deficiências e o modo de corrigi-las é fundamental para o êxito da cultura.

A absorção de nutrientes pelo tomateiro é baixa até o aparecimento das primeiras flores. Daí em diante, a absorção aumenta e atinge o máximo na fase de pegamento e crescimento dos frutos (entre 40 e 70 dias após o plantio), voltando a decrescer durante a maturação dos frutos.

A quantidade de nutrientes extraída pelo tomateiro é relativamente pequena, mas a exigência de adubação é muito grande, pois a eficiência de absorção dos nutrientes pela planta é baixa. Para os fertilizantes fosfatados, por exemplo, a taxa de absorção é de aproximadamente 10%. O restante fica no solo, na forma de resíduo, podendo ser absorvido por plantas daninhas, ser transportado pela água ou ser retido por partículas do solo.

Em média, em cada tonelada de frutos colhidos, são encontrados: 3 kg de nitrogênio; 0,5 kg de fósforo; 5 kg de potássio; 0,8 kg de cálcio; 0,2 kg de magnésio e 0,7 kg de enxofre. Em relação aos micronutrientes, as quantidades são: 5 g de boro; 25 g de zinco; 10 g de cobre; 25 g de manganês e 25 g de ferro.

Pela análise foliar, pode-se conhecer o estado nutricional da planta. Os níveis mais adequados estão na Tabela 1. As amostras para análise são coletadas 50 dias após o plantio, retirando-se a quarta folha a partir do ápice das hastes. Pelo menos 20 a 30 plantas por hectare devem ser aleatoriamente amostradas.

O uso eficiente de fertilizantes exige uma diagnose correta de possíveis problemas de fertilidade do solo e nutrição da planta, antes e após as adubações. O conhecimento do histórico da área deve também ser considerado, pois os resíduos de adubações pesadas, principalmente de micronutrientes, podem atingir níveis tóxicos. Isoladamente, a análise de solo não é um instrumento eficaz para a definição de doses e épocas de aplicação de fertilizantes nitrogenados. Nesse aspecto, a experiência local deve ser a base do manejo.

A adubação orgânica é recomendada nas dosagens de 2 a 10 t/ha (dependendo da pureza) de esterco de galinha, aplicado no sulco de plantio, ou de 6 a 20 t/ha de esterco de gado, aplicado a lanço ou no sulco. Esta prática é pouco utilizada, uma vez que os plantios de tomate para industrialização são feitos em grandes áreas.

A adubação verde também é uma prática recomendável, especialmente em locais de solos intensamente cultivados, depauperados ou de baixa fertilidade natural. A prática melhora as condições físicas do solo e reduz a população de nematóides.

De modo geral, sugere-se a aplicação de 80 a 120 kg/ha de N, 300 a 450 kg/ha de P205 e 50 a 100 kg/ha de K20. Entretanto, ressalta-se que as doses devem ser ajustadas de acordo com o solo a ser fertilizado. A dose de N pode ser menor que 80 kg/ha se o solo for rico em matéria orgânica. Para os solos intensamente cultivados, a dose de fósforo pode ser reduzida.

Sugestões de adubação para as principais regiões produtoras

Estado de São Paulo

Nas principais regiões produtoras do Estado, é comum o uso da seguinte adubação: 500 kg/ha da formulação 4-30-10 em pré-plantio e uma mistura de 500 kg/ha de 4-30-10 com 250 kg/ha de sulfato de amônio, aplicada em cobertura e incorporada 30 a 35 dias após a emergência.

Região do submédio São Francisco

Em latossolos recém-desbravados, sugere-se o mesmo sistema de adubação para os solos do Estado de São Paulo. Em solos com exploração intensiva, a adubação com P e K deve ser feita com base na análise do solo.

A adubação nitrogenada deve ser feita com 30 kg/ha de N no plantio e 60 kg/ha de N em cobertura.

Região dos Cerrados

Considerando os níveis de fertilidade obtidos pelo teor de P e K encontrados na análise do solo, recomenda-se a aplicação das seguintes quantidades desses elementos para a região de Brasília.

A adubação nitrogenada é feita com 120 kg/ha de N, sendo que 40 a 60 kg/ha são aplicados no plantio, juntamente com fósforo e potássio, e o restante na forma de nitrocálcio, em cobertura, 25 a 30 dias após o plantio.

A adubação com micronutrientes deve ser feita com substâncias compostas e de lenta solubilidade, contendo três ou mais micronutrientes (FTE BR 12). Juntamente com a adubação de plantio, recomenda-se, em média, 80 kg/ha de FTE ou a aplicação de bórax (30 kg/ha) mais sulfato de zinco (30 kg/ha). A aplicação de adubos formulados contendo B e Zn é uma maneira mais prática de uniformizar sua distribuição. Solos que apresentem teores de B e Zn menores que 1,5 e 5,0 ppm, respectivamente, devem receber adubação com estes elementos.

Na região de cerrado de Patos de Minas-MG, recomenda-se a adubação de 500 a 700 kg/ha da fórmula 4-30-10, contendo B e Zn. A mesma adubação é repetida em cobertura, associada com a adubação nitrogenada, procurando-se elevar a dose total de nitrogênio para 100 a 150 kg/ha. Em solos mais pobres, deve-se utilizar 400 kg/ha de termofosfato magnesiano com micronutrientes (B, Zn, Mn, Cu, Mo), juntamente com o adubo formulado de N , P e K .

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Solos

Escolha da área e preparo do solo

As propriedades químicas, físicas e biológicas dos solos devem ser consideradas antes da decisão de se efetuar os plantios, devendo-se evitar áreas que tenham possibilidade de encharcamento, com topografia muito irregular e que apresentem manchas ou bancos de areia, cascalho ou pedras. Quanto aos aspectos biológicos, é importante evitar áreas com presença de patógenos. Para isso, deve-se recorrer ao histórico dos plantios anteriores, alertando-se para a ocorrência de nematóides formadores de galhas, mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), murcha-de-estenfílio, murcha-de-fusário e murcha-bacteriana. Deve-se também evitar o plantio em áreas próximas às ocupadas com outros cultivos, onde possa ocorrer a reprodução de insetos, tais como mosca-branca, tripes e pulgões, prevenindo-se contra seus danos diretos ou indiretos (vetores de viroses).

O excesso de restos culturais ou de plantas voluntárias diminui a eficiência dos equipamentos utilizados no preparo do solo, resultando na necessidade de realizar repetidamente algumas operações, tendo como conseqüência o alto movimento de máquinas, elevação dos custos e solos irregularmente preparados. Uma das formas de reduzir o volume dos restos culturais consiste em passar uma grade aradora e aguardar o período de pelo menos quinze dias, para que ocorra a decomposição parcial do material. Outra opção é realizar uma roçagem e o enleiramento dos restos vegetais.

Quanto às propriedades físicas do solo, deve-se, sempre que possível, escolher áreas com solos leves, ou seja, com boa distribuição das frações granulométricas (areia, silte e argila), profundos e permeáveis.

Antes de se iniciar a operação de preparo do solo, deve-se verificar a presença ou não de camadas adensadas. A presença e a profundidade dessas camadas adensadas são detectadas por sondagens com penetrômetros ou pela abertura de trincheiras. Deve-se também coletar amostras de solo para análise química. A aplicação de calcário, se necessária, deve ser feita dois meses antes do plantio e no período em que ainda ocorram chuvas. Quando a dosagem de corretivo recomendada for superior a 2 t/ha, a calagem deve ser dividida em duas aplicações, sendo a primeira antes da aração, e a segunda, após a primeira gradagem. Quando o solo apresentar pH acima de 5,0, a correção é complementar e o corretivo pode ser aplicado de uma só vez e incorporado.

A salinidade, ou concentração de sais solúveis no solo, avaliada pela condutividade elétrica, deve merecer atenção especial, principalmente em regiões onde a água de irrigação apresenta alta concentração de sais. O solo é considerado salino quando apresenta condutividade elétrica superior a 4 ds.m-1. Irrigação adequada e boa drenagem evitam o acúmulo de sais.

Existem várias opções de preparo do solo, e a escolha depende da disponibilidade de equipamentos, da textura, do grau de compactação do solo e do sistema de plantio.

Em solos compactados, a primeira operação é a subsolagem ou aração profunda (superior a 30 cm). A subsolagem deve ser feita com baixa umidade do solo, para ter ação lateral de quebra da camada adensada. No entanto, com solo muito seco pode ocorrer a formação de grandes torrões, dificultando as demais operações de preparo de solo e o plantio. Em alguns casos, é necessário realizar uma irrigação da camada superficial antes da aração ou da subsolagem. Após a subsolagem, deve-se usar a grade aradora e completar o destorroamento com grade niveladora.

A compactação do solo é reduzida por meio do preparo mais profundo do solo, evitando-se, sempre que possível, apenas o uso da grade aradora. Caso a implantação da cultura seja feita por meio de mudas transplantadas, não há necessidade de destorroar excessivamente o terreno, evitando-se, desse modo, maior compactação do terreno. Com semeadura direta, é indispensável eliminar os torrões e os restos de vegetação, que dificultam a distribuição das sementes e a emergência das plântulas.

Atualmente, quase todas as áreas cultivadas com tomateiro destinado ao processamento industrial são plantadas com mudas produzidas em bandejas e transplantadas com auxílio de máquinas ou até mesmo manualmente, dispensando o uso de canteiros.

Quando se pretende utilizar a colheita mecanizada, além de selecionar áreas com topografia regular e de pouco declive, deve-se ter cuidado quanto à existência de pedras, tocos e outros objetos que possam danificar o equipamento.

Correção do solo

A utilização racional da calagem e de fertilizantes é de importância fundamental na tomaticultura, uma vez que esses insumos representam, em média, 20% a 25% do custo de produção.

A acidez elevada afeta a disponibilidade dos nutrientes contidos no solo ou adicionados através da adubação, influenciando a assimilação dos mesmos pelas plantas. Estima-se que a eficiência média na assimilação dos macronutrientes primários e secundários seja de 27% quando o pH é 4,5, e de 80% quando o pH é próximo de 6,0, o que torna a calagem uma prática essencial.

A necessidade de calcário, com base na análise do solo, pode ser determinada pelos seguintes métodos:

a) Método baseado nos teores de Ca + Mg trocáveis: t/ha de calcário = [(2, 0 - (meq Ca + Mg)/dm3)] x 2

b) Método baseado nos teores de Al, Ca e Mg trocáveis (recomendado para solos com mais de 20% de argila): t/ha de calcário = 2, 0 x meq de Al/dm3 + [3 - (meq de Ca + Mg/dm3)]

c) Método baseado nos teores de saturação de bases: t/ha de calcário = T(V1 – V2)/100

Onde: T (soma dos íons trocáveis) = Ca + Mg + K + (H + Al) em meq/dm3 de solo; V2 = 70, que é a % de saturação de base recomendada para o tomateiro; V1 = saturação de bases existente no solo, calculada pela fórmula: v, = S x 100/T, em que S (soma de bases trocáveis) = Ca + Mg + K em meq/dm3 de solo.

A quantidade de calcário determinada com base na análise de solo deve ser corrigida de acordo com a eficiência ou poder relativo de neutralização total (PRNT) do material a ser utilizado. É importante observar a relação entre o preço do calcário e a sua qualidade (PRNT). Deve-se preferir o uso do calcário dolomítico, que fornece simultaneamente cálcio e magnésio.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Clima

O tomateiro é originário da costa oeste da América do Sul, onde as temperaturas são moderadas (médias de 15ºC a 19ºC) e as precipitações pluviométricas não são muito intensas. Entretanto, floresce e frutifica em condições climáticas bastante variáveis. A planta pode desenvolver-se em climas do tipo tropical de altitude, subtropical e temperado, permitindo seu cultivo em diversas regiões do mundo.

Fatores climáticos que afetam o desenvolvimento do tomateiro

Temperatura

A maioria dos trabalhos indica que a faixa de temperatura mínima para germinação da semente de tomateiro é de 8 a 11ºC, sendo que a faixa de temperatura ótima para germinação situa-se entre 16 e 29ºC (Tabela 1).

A temperatura média no período de cultivo deve ser de 21ºC, mas a planta pode tolerar uma amplitude de 10 a 34ºC. Quando submetida a temperaturas inferiores a 12ºC, a planta de tomateiro tem seu crescimento reduzido, sendo sensível a geadas. A antese da primeira flor do primeiro cacho de plantas submetidas a uma temperatura média do ar de 20ºC ocorre, normalmente, 12 dias mais cedo do que a de plantas que se desenvolvem com temperatura média de 16ºC.

Em temperaturas médias superiores a 28ºC, formam-se frutos com coloração amarelada (Figura 1) em razão da redução da síntese de licopeno (responsável pela coloração vermelha típica dos frutos) e aumenta a concentração de caroteno (pigmento que confere coloração amarelada à polpa). Temperaturas noturnas próximas a 32ºC causam abortamento de flores, mau desenvolvimento dos frutos e formação de frutos ocos. A produção de pólen é afetada tanto por temperaturas altas (> 40ºC) quanto por temperaturas baixas (< 10ºC).

Figura: Frutos descoloridos resultantes da ocorrência de altas temperaturas.

Temperaturas superiores a 26ºC causam redução no ciclo da cultura. Esse fator deve ser considerado pelas firmas processadoras na fase de programação de colheita para evitar acúmulo de maturação de frutos em um mesmo período. A utilização de cultivares com diferentes ciclos de maturação, juntamente com uma boa programação de plantio, pode auxiliar no escalonamento da colheita.

Precipitação pluvial

Embora o tomateiro seja uma planta muito exigente em água, o excesso de chuvas pode limitar seu cultivo. Altos índices pluviométricos e alta umidade relativa favorecem a ocorrência de doenças, exigindo constantes pulverizações de agrotóxicos. O excesso de chuva ou de aplicação de água por irrigação prejudica também a qualidade dos frutos, por causa da redução do teor de sólidos solúveis (º Brix) e do aumento de fungos na polpa. Em solos mal drenados, pode ocorrer acúmulo de umidade, com limitação de crescimento radicular, tornando as plantas menos eficientes na absorção de nutrientes e mais suscetíveis às variações da umidade do solo.

Fotoperíodo

O tomateiro não responde significativamente ao fotoperíodo, desenvolvendo-se bem tanto em condições de dias curtos quanto de dias longos. O fotoperíodo exerce pouca influência no florescimento de L. esculentum. Entretanto, algumas espécies silvestres só florescem em dias curtos.

Pouca luminosidade provoca um aumento da fase vegetativa, retardando o início do florescimento.

Umidade relativa

Em regiões de alta umidade relativa ocorre a formação de orvalho e as folhas se mantêm úmidas por longo período do dia, principalmente aquelas localizadas na parte inferior das plantas. Isso favorece o desenvolvimento de doenças, principalmente as causadas por fungos e bactérias (ver capítulo de doenças).

Por ocasião da escolha da área, devem-se evitar locais de baixadas e vales, onde geralmente é menor a circulação do ar e, portanto, maior o período de permanência do orvalho nas plantas, especialmente nas partes mais sombreadas.

Granizo

Dependendo da intensidade, o granizo pode danificar frutos, folhas e caules (Figura 2), causando enormes perdas ou promovendo proliferação de doenças. Áreas com alta probabilidade de ocorrência de granizo não devem ser utilizadas.

Figura: Danos nos frutos e na planta causados por granizo.

Época de Plantio

O tomate para processamento industrial deve ser preferencialmente plantado em épocas ou em locais de pouca precipitação pluvial e baixa umidade relativa do ar.

No oeste do Estado de São Paulo, o plantio é recomendado de fevereiro a meados de junho. Plantios antecipados (janeiro), embora comumente realizados nessa região, podem ser prejudicados por excesso de chuvas que propiciam a ocorrência da mancha-bacteriana. Nesse caso, devem-se utilizar cultivares mais tolerantes a essa bacteriose e um maior espaçamento entre plantas. Plantios mais tardios (junho/julho) sujeitarão a lavoura a chuvas durante o período de colheita e a maiores infestações de traça-do-tomateiro, prejudicando a qualidade do produto.

Na Região Nordeste, no Alto, Médio e Submédio São Francisco, a época de plantio mais recomendada é também de março a meados de junho, quando ocorrem temperaturas mais amenas e menor precipitação pluvial. Plantios mais tardios ficam sujeitos a maiores danos pela traça-do-tomateiro. Na região de Pesqueira-PE, onde predominam os cultivos não-irrigados, a época de plantio mais recomendada é do início de março até o final de abril. Visando implementar um programa de manejo integrado de pragas para a região de plantio nos Estados de Pernambuco e da Bahia, o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária estabeleceu, pela Portaria nº 53, de 27/02/1992, os períodos limites para o plantio de tomate naquela região e ainda condicionou a concessão de crédito apenas para os produtores que obedecerem ao cronograma de plantio e que destruírem os restos culturais imediatamente após a última colheita.

Na Região Centro-Oeste, os plantios podem ser iniciados na segunda quinzena de fevereiro, podendo estender-se até meados de junho. Em fevereiro, os plantios são dificultados pela alta incidência de chuvas no período. Utilizando-se o sistema de produção de mudas em ambiente protegido para posterior transplante, é possível antecipar o início dos plantios no campo. Entretanto, em anos chuvosos, o uso das máquinas de transplante de mudas fica prejudicado, dificultando a antecipação dos plantios.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Tomate - Composição nutricional

O fruto do tomateiro possui em sua composição de 93% a 95% de água. Nos 5% a 7% restantes, encontram-se compostos inorgânicos, ácidos orgânicos, açúcares, sólidos insolúveis em álcool e outros compostos (Tabela 1).

Embora as vitaminas estejam presentes em uma pequena proporção do total da matéria seca, essas substâncias são importantes do ponto de vista nutricional (Tabela 2).

A composição dos frutos de tomate para indústria vem sendo alterada por meio de melhoramento genético com o objetivo de selecionar cultivares com características desejáveis para o processamento. A composição dos frutos é uma característica da cultivar, mas também pode ser influenciada pelas condições edafoclimáticas da região produtora.

Durante o processo de maturação dos frutos, ocorrem grandes transformações em suas características. Conseqüentemente, para uma comparação mais precisa das características químicas e bioquímicas entre as distintas cultivares, é necessária uma amostragem bastante cuidadosa visando comparar os frutos no mesmo estádio de maturação fisiológica. O processamento industrial também altera a composição da matéria-prima.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

08 outubro, 2012

Tomate - Importância Econômica

A produção mundial de tomate para processamento industrial no ano 2000 foi de aproximadamente 27 milhões de toneladas. O Brasil, um dos maiores produtores mundiais, produziu em 2002 cerca de 1,28 milhão de toneladas em uma área de 18,25 mil hectares, indicando que, atualmente, nossa produtividade média é de cerca de 70 t por hectare (Tabela 1).

A produção brasileira de tomate para industrialização, ou tomate rasteiro, começou em Pernambuco, no município de Pesqueira, no final do século XVlll. Porém, a cultura experimentou um grande impulso apenas a partir da década de 1950, no Estado de São Paulo, viabilizando a implantação de diversas agroindústrias. Na década de 80, ela expandiu-se na região Nordeste, especialmente em Pernambuco e no Norte da Bahia. Em virtude das condições climáticas favoráveis existentes naquela região, imaginou-se a possibilidade de cultivar o tomateiro durante um maior período do ano, com a expectativa de evitar a formação de estoques de polpa e reduzir o período de ociosidade da indústria na entressafra. A partir de 1991, ocorreu redução da área plantada, provocada pela maior oferta de polpa no mercado internacional e pelo ataque severo da traça-do-tomateiro (Tuta absoluta).

Atualmente, a maior área cultivada com tomate industrial está na região Centro-Oeste, onde o clima seco durante os meses de março a setembro favorece o cultivo do tomateiro. Os solos profundos e bem drenados e a topografia plana facilitam a mecanização e permitem o uso de grandes sistemas de irrigação.

O cultivo do tomateiro exige um alto nível tecnológico e intensa utilização de mão-de-obra. Apesar do elevado índice de mecanização nas operações de preparo de solo, adubação, transplantio, irrigação e pulverização; é necessário empregar cerca de 100 homens-dia por hectare na execução das tarefas de capinas e colheitas manuais, o que dá a essa cultura elevada importância econômica e social.

Como todo produto destinado ao processamento em larga escala, os preços dos produtos derivados de tomate são muito influenciados pelo mercado internacional. Por isso, a tecnologia de produção deve buscar competitividade, reduzindo custos de produção e elevando os índices de produtividade e qualidade.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA