26 julho, 2012

Rotação com espécies não hospedeiras favorece o manejo de nematóides

Maior tolerância de alguns genótipos pode estar ligada às características ambientais.

Uma das grandes preocupações dos produtores nos últimos anos, os impactos e manejo de nematoides na sojicultura, foram discutidos durante o VI Congresso Brasileiro de Soja. O uso intensivo da terra com culturas suscetíveis, como a soja no verão e milho ou algodão na segunda safra, tem aumentado as populações do parasita Pratylenchus (P. brachyurus) no solo, de acordo com o pesquisador Waldir Dias, da Embrapa Soja.

Segundo Dias, o problema é mais grave no Centro-Oeste, mas também começa a aparecer no Sul do País. Segundo o pesquisador, ao alternar o plantio da soja com adubos verdes, como espécies de crotalária, o agricultor consegue diminuir a multiplicação dos nematoides. “Das técnicas de manejo, a rotação de culturas é a que mais efetivamente pode diminuir a multiplicação do Pratylenchus”, orienta o pesquisador. Algumas áreas infestadas de nematóides podem ter até 30% de perda da capacidade produtiva.

Para Dias, é difícil obter ganhos significativos com a seleção genética em soja para resistência ao nematoide. “Os estudos genéticos têm mostrado que a resistência a Pratylenchus em soja é limitada. A maior tolerância de alguns genótipos está mais ligada às características ambientais do que genéticas”, afirmou o pesquisador. “O ideal é sempre combinar a rotação com a variedade resistente e manter boas práticas de manejo como, por exemplo, uma adubação equilibrada, evitar que o solo fique exposto e seja compactado, favorecendo a tolerância da soja aos parasitas”, afirma.

Outro aspecto que dificulta a utilização de cultivares de soja resistentes ao parasita é que na maioria das áreas infestadas, as populações de Pratylenchus estão excessivamente elevadas. “Assim, mesmo as cultivares mais resistentes podem não alcançar rendimentos nessas lavouras. O uso de cultivares mais resistentes pressupõe uma redução prévia das populações do parasita, rotacionando com espécies vegetais não hospedeiras”, complementa Dias.

Fonte: EMBRAPA Soja (http://www.cnpso.embrapa.br)

Brasil pode colher 82 milhões de t de soja na Safra 2012/2013

Presidente da CNA lembra que cenário externo e medidas oficiais de apoio ao setor garantirão aumento da produção brasileira.

A comercialização de insumos no Brasil, em especial de fertilizantes, sinaliza que a área plantada com soja, na safra 2012/2013, que começa a ser cultivada em meados de setembro, será de 27 milhões de hectares, com aumento de dois milhões de hectares em relação à safra anterior. A avaliação é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que estima colheita de 82 milhões de toneladas de soja no ano-safra. “O cenário externo favorável em termos de preços e as medidas de apoio anunciadas pelo Governo federal estimularão o plantio”, afirma a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu. Ela alerta, no entanto, que a confirmação da previsão depende das condições climáticas durante o período de plantio, desenvolvimento e colheita das lavouras.

O aumento dos preços das commodities agrícolas no exterior vai influenciar de forma positiva o plantio das lavouras de grãos e fibras no Brasil, na safra 2012/2013, com colheita de cerca de 176 milhões de toneladas. Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago, referência de preços para muitas commodities agrícolas, atingiram níveis recordes, sendo que o contrato com vencimento em agosto subiu 10,2% somente na média dos pregões realizados na semana passada. As notícias sobre as condições climáticas nos Estados Unidos têm influenciado de forma muito intensa o mercado, deixando-o volátil.

Apesar do cenário externo, a expectativa de plantio não é tão otimista para o milho quanto para a soja, pois, no Brasil, as duas culturas disputam espaço, especialmente na região Centro-Sul. Nessa região, a expectativa é de queda de até 10% na área plantada com milho de verão na safra 2012/2013 em relação ao período anterior. A presidente da CNA explica que a preferência pela soja é justificada pela maior liquidez, menor custo e maior facilidade na obtenção de créditos, além da rentabilidade, que sinaliza ganho líquido médio de R$ 25,00 por saca de 60 quilos na safra 2012/2013.

Para a safrinha de milho, também há expectativa de redução da área plantada, para 6,2 milhões de hectares, com potencial de produção de 34 milhões de toneladas na região Centro-Sul. Somadas as duas safras, a produção nacional de milho poderá somar 68 milhões de toneladas, com queda de dois milhões de toneladas na comparação com o volume produzido na safra 2011/2012. A CNA lembra que, se confirmadas as estimativas, o cenário é de preocupação para os produtores de aves, suínos e leite, em função da perspectiva de aumento dos custos de produção.

Fonte: Canal do Produtor (http://www.canaldoprodutor.com.br)

Frete está 20% mais caro em Sorriso

O Sindicato Rural de Sorriso estima que o frete está 20% mais caro no município. De acordo com dados da entidade, o transporte da tonelada, de Sorriso até o porto de Paranaguá (PR), antes custava R$ 170. No entanto, agora passou a ser cobrado o valor de R$ 230 pelo mesmo trajeto.

A explicação para este aumento, segundo o presidente do sindicato e também produtor rural, Laércio Lenz, é a falta de caminhões para realizar o transporte do produto. "Em três armazéns chegamos a ter que deixar o milho para o lado de fora, mas já está tudo normalizado agora", afirmou, em entrevista ao Só Notícias.

Já o produtor rural e ex-presidente da entidade, Elso Pozzobom, disse estar preocupado com a próxima safra. Para ele, "os produtores trabalham muito para produzir safras recordes, mas o gargalo continua. A logística é caótica".

Na safra deste ano foram cultivados, em Sorriso, pouco mais de 300 mil hectares de milho e mais de 600 mil de soja.

Fonte: Só Notícias (http://www.sonoticias.com.br)

Agricultores podem obter em conjunto licença ambiental para irrigação

Novo sistema facilitará a ampliação da área irrigada no Estado.

O licenciamento ambiental para irrigação das lavouras das propriedades rurais mineiras, a partir de 2013, poderá ser coletivo, tendo como referência as sub-bacias hidrógraficas do Estado. A informação é do gerente do Projeto Estratégico Irrigaminas pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Amarildo José Brumano Kalil. Ele diz que o novo sistema facilitará a expansão da área irrigada, principalmente nas regiões do Alto Paranaíba e Triângulo, onde é mais intensa a utilização das águas dos rios para a produção agrícola.

Os trabalhos para a implantação do novo modelo são desenvolvidos com a participação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e de associações dos produtores dos Territórios de Agricultura Irrigada de Minas Gerais. Cada território é uma região geográfica delimitada por bacia hidrográfica, ou parte de uma bacia hidrográfica, tendo como base as Unidades de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos (UPGRH). Estão implantados em Minas os territórios das bacias do Paranaíba, Jequitinhonha e Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Amarildo informa que o novo licenciamento será utilizado a partir de sub-bacias onde já exista conflito pelo uso de água para irrigação. “Conflito, neste caso, é a situação criada quando a demanda pelo uso da água supera a disponibilidade estabelecida, que atualmente é de 50% da vazão de referência”, explica Kalil. “Cada sub-bacia reúne entre 50 e 100 propriedades rurais, por isso é fundamental a intermediação de uma associação de produtores em cada área”, enfatiza.

Caracterização das áreas

Após a seleção de cada sub-bacia, será feito o levantamento de suas características com base em estudos locais e por intermédio de informações existentes nos bancos de dados públicos e privados da área em estudo. Os trabalhos nesse estágio ficarão sob a responsabilidade da associação de produtores com apoio da Emater-MG e da Ruralminas, vinculadas à Seapa, da Semad e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

De acordo com o gerente, o objetivo é identificar as potencialidades, limitações e o uso atual do solo, além de verificar a disponibilidade de água nas sub-bacias. “Com base no relatório será elaborado o plano de adequação socioeconômica e ambiental de cada sub-bacia a ser licenciada”, acrescenta.

“Isso quer dizer que o licenciamento conjunto das propriedades será concedido com base na identificação das características produtivas e condições de conservação e preservação ambiental. A perspectiva de sustentabilidade dos projetos é fundamental para a concessão do licenciamento nessas áreas, e as providências apontadas pelos órgãos ambientais do Estado para a obtenção dessa condição também serão adotadas pelo conjunto dos produtores, por intermédio de suas associações”, diz Amarildo Kalil.

Segundo ele, uma das vantagens do novo sistema é a possibilidade de estabelecer de forma coletiva a área de reserva legal na sub-bacia. As áreas de preservação permanente também poderão ser gerenciadas coletivamente. Da mesma forma, a outorga para uso da água será coletiva. Para o gerente, trata-se de um avanço na gestão dos recursos hídricos, porque haverá um entendimento entre os usuários da água, sempre intermediado pela associação, a fim de garantir uma boa distribuição.

Ele ainda diz que o licenciamento por sub-bacia possibilita o uso múltiplo das águas reservadas nas barragens que atenderão à agricultura irrigada, produção de energia, turismo e outras finalidades. “Outra inovação é a possibilidade da gestão coletiva de infraestruturas de uso múltiplo, como as barragens, estradas, redes elétricas, armazéns e outras”, acrescenta Amarildo.

O licenciamento ambiental por sub-bacia hidrográfica representará menos custos para os produtores, porque cada conjunto de propriedades terá um processo único, observa o gerente. Outra vantagem é que o prazo para a concessão da licença será reduzido. Além disso, as secretarias de Agricultura e de Meio Ambiente analisam a criação de diversos incentivos para estimular a adesão dos produtores ao processo de licenciamento coletivo.

Fonte: AGROLINK (http://www.agrolink.com.br)

Inmet alerta para chuva forte no Sul

Previsão é de baixa umidade em grande parte do país.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para condições meteorológicas favoráveis à ocorrência de chuva moderada a forte com trovoadas e rajadas de vento ocasionais no centro e leste do Paraná e no centro e leste de Santa Catarina.

Ainda segundo o Aviso Especial Nº 203, há possibilidade de baixa umidade do ar no centro, oeste, noroeste e norte de Minas Gerais, centro e sul do Piauí, oeste da Bahia, sul do Maranhão, centro e sul do Ceará, Tocantins, Mato Grosso, norte de Mato Grosso do Sul, norte de São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.

O alerta é válido para quinta-feira, 26 de julho. No Nordeste, a previsão é de pancadas de chuva no litoral do Maranhão, do Piauí, leste do Rio Grande do Norte, centro/leste da Paraíba, Alagoas, Recôncavo e região cacaueira na Bahia. Em Tocantins o céu fica claro a parcialmente nublado com névoa seca. A temperatura máxima no Norte deve chegar a 36ºC.

Ainda segundo a meteorologia, o tempo fica nublado com pancadas de chuva e trovoadas isoladas em Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas do Centro-Oeste, o tempo fica claro a parcialmente nublado com névoa seca. No Sudeste deve chover no sul de São Paulo. A temperatura mínima na região deve ser de 9ºC. No Sul, a previsão é de tempo parcialmente nublado com névoa seca e úmida.

Fonte: Ministério da Agricultura (http://www.agricultura.gov.br)

Mapa aprova iniciativa para melhorar a qualidade do leite no Brasil

O Programa Alimentos Seguros para a cadeia produtiva do leite (PAS Leite) foi lançado nesta quarta em Brasília.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa – Gado de Leite), firmaram parceria com o Sistema Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com os serviços nacionais de aprendizagem Rural (Senar) e Industrial (Senai) para implementar o Programa Alimentos Seguros focado na cadeia produtiva do leite (PAS Leite).

O PAS Leite foi lançado nesta quarta-feira, 25 de julho, em Brasília, na sede do Sebrae Nacional com a presença do ministro interino do Mapa, José Carlos Vaz. Para ele, a parceria é uma oportunidade da Embrapa apresentar, mais uma vez, para a sociedade e para o agronegócio brasileiro um produto da sua eficiência na geração de tecnologias. “A iniciativa vai possibilitar o acesso dos produtores rurais a informações e a um programa de capacitação para que eles possam se adequar à regulamentação do Ministério da Agricultura, atinentes à segurança e a qualidade do leite”, explica.

A proposta do Sebrae oferece as condições adequadas para que os produtores e os laticínios atendam aos requisitos do mercado e da legislação nacional, contidas na Instrução Normativa nº 62/2011 do Mapa. O Programa será implantado para melhorar a qualidade do produto no Brasil, permitindo também o aumento de renda no campo. “É uma oportunidade de o Governo se aproximar do setor produtivo de leite, seja a parte rural ou a parte industrial, e mostrar quais são as diretrizes da gestão do ministro Mendes Ribeiro”, completou José Vaz.

O PAS Leite está disponível para implantação em todo o território nacional. As indústrias, cooperativas, associações, grupos e ou produtores que tiverem interesse em aderir ao programa deverão entrar em contato com o Sebrae, Senar, Senai em seu estado ou com a Embrapa - Gado de Leite.

Fonte: Ministério da Agricultura (http://www.agricultura.gov.br)

Mapa intensifica fiscalização de agrotóxicos

Em 2011 foram realizadas 1.202 fiscalizações e a meta para 2012 é de 1.482 ações.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem apresentado significativo crescimento nas fiscalizações dos agrotóxicos no Brasil. Somente em 2011, o Mapa realizou 1.202 inspeções em produtos e estabelecimentos que fabricam, formulam e manipulam agroquímicos ou que testam a sua eficácia agronômica. Para este ano, a meta é de 1.482 ações. “A missão do ministério é garantir que o insumo chegue até o produtor rural com a qualidade prevista no seu registro”, ressaltou o chefe de Divisão de Fiscalização de Agrotóxicos do Mapa, Álvaro Inácio.

De acordo com Álvaro, nos últimos anos houve um crescimento no número de vistorias realizadas pelo Governo Federal. Em 2005, foram 415 e, comparado ao número de ações em 2012, representa um aumento da ordem de 65%. “Nos últimos anos é notável um aumento no uso desses produtos e, consequentemente, uma maior necessidade de qualificar a fiscalização para que ela seja mais efetiva. Para isso, o Governo está capacitando os fiscais e aprimorando os procedimentos de fiscalização”, explicou.

A responsabilidade da inspeção de agrotóxicos é dividida entre a União, os Estados e os Municípios. Cabe ao Ministério da Agricultura, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vistoriar as indústrias na produção, na importação e na exportação dos agrotóxicos e, aos estados cabe a fiscalização do comércio e o uso correto do produto pelo produtor. “Todo produto que foi registrado e na ocasião da fiscalização apresentar alguma inconformidade perante o registro é passivo de uma autuação. A multa máxima para as indústrias pode chegar a cerca de R$ 19 mil, aplicada em dobro em caso de reincidência. E cabe aos estados e ao Distrito Federal garantirem o correto comércio e uso desses produtos”, frisou Álvaro Inácio.

Fonte: Ministério da Agricultura (http://www.agricultura.gov.br)

Ministro volta a defender políticas direcionadas para segurança alimentar

Pesquisa e desenvolvimento tecnológico com enfoque na produção de alimentos são necessários, diz ministro.

Durante a 16º encontro da Reunião Interamericana em Nível Ministerial sobre Saúde e Agricultura (RIMSA 16), nesta quinta-feira, 26 de julho, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, destacou a importância do desenvolvimento de ações políticas voltadas para produção agropecuária com foco na segurança alimentar. O evento acontece no Chile até amanhã, 27 de julho.

O ministro ressaltou a necessidade de melhorar iniciativas quanto à legislação relacionada a segurança do alimento e à saúde pública. “Por meio de instrumentos de regulação é possível acelerar o atendimento aos padrões de qualidade, sanidade dos rebanhos e de produção mais sustentável dentro das cadeias de valor, principalmente para produtores comerciais de menor porte”.

Mendes Ribeiro Filho também defendeu políticas de crédito dirigidas para atividades agropecuárias relevantes para a segurança alimentar e a redução da pobreza. Ainda de acordo com ele, essas ações devem ser considerar diagnósticos específicos locais e regionais. Também é necessário avaliar mecanismos de implementação e monitoramento de resultados.

“Além de investimentos na infra-estrutura regional, são necessários recursos para pesquisa e desenvolvimento tecnológico com enfoque na produção de alimentos de qualidade, seguros e baratos, pelo governo e setor privado, lembrando que alguns alimentos de importância no combate à fome podem carecer do interesse do setor privado para investimentos”, explicou.

A importância da região da América Latina e Caribe para crescente demanda mundial por alimentos e a necessidade de garantir níveis mínimos nutricionais também foi destacada por Mendes. Neste sentido, a manutenção da saúde dos rebanhos e plantéis e adoção de sistemas mais sustentáveis foram ressaltadas como forma de garantir o aumento da produtividade e o combate à desnutrição.

“Elevar a produtividade é a mais promissora estratégia para aumentar a oferta de alimentos. Neste sentido, a extensão rural é possivelmente um dos instrumentos com maior potencial para elevar a produção animal nos países da América Latina e Caribe e reduzir os níveis de pobreza rural e desnutrição a curto e médio prazos”, disse o ministro.

Fonte: Ministério de Agricultura (http://www.agricultura.gov.br)

Milho - Doenças - Doenças causadas por nematóides

Mais de 40 espécies de 12 gêneros de nematóides têm sido citadas como parasitas de raízes de milho em todas as áreas do mundo onde este cereal é cultivado. No Brasil, as espécies mais importantes, devido à patogenicidade, à distribuição e à alta densidade populacional, são Pratylenchus brachyurus, Pratylenchus zeae, Helicotylenchus dihystera, Criconemella spp., Meloidogyne spp. e Xiphinema spp. Resultados de pesquisa demonstram que o controle químico de nematóides na cultura do milho permitiu o aumento da produção de grãos em 39% em área naturalmente infestada por Pratylenchus zeae e Helicotylenchus dihystera.

A ocorrência de nematóides do gênero Meloidogyne parasitando o milho e causando prejuízos significativos em condições naturais foi relatada no Brasil em 1986, sendo identificada a espécie Meloidogyne incognita raça 3 em raízes de plantas de milho que não se desenvolveram. Contudo, o milho está entre as culturas mais recomendadas para a rotação em áreas infestadas por Meloidogyne spp.. Atualmente, devido à necessidade de se controlar o nematóide do cisto (Heterodera glycines) na cultura da soja, o milho tem sido uma alternativa para a rotação de cultura, pois não é parasitado por este nematóide. Por outro lado, estas duas culturas podem ser parasitadas por nematóides do gênero Meloidogyne, notadamente por M. incognita e M. javanica.

Sintomas

As injúrias por nematóides variam com o gênero e a população do nematóide envolvido, as condições do solo e a idade da planta de milho. Os sistemas radiculares parasitados por nematóides são menos eficientes na absorção de água e nutrientes da solução do solo. Consequentemente, uma planta parasitada tem seu crescimento reduzido, apresenta sintomas de deficiências minerais e a produção é reduzida. Plantas atacadas por nematóides apresentam, em sua parte aérea, os seguintes sintomas: enfezamento e cloroses; sintomas de murcha durante as horas mais quentes do dia, com recuperação à noite; espigas pequenas e mal granadas. Esses sintomas dão à cultura do milho uma aparência de irregularidade, podendo aparecer em reboleiras ou em grandes extensões. Quando esses sintomas, observados na parte aérea, são causados por nematóides, as raízes apresentam os seguintes sintomas:

- Encurtamento e engrossamento das raízes: Trichodorus spp., Longidorus spp. e Belonolaimus spp..
- Sistema radicular praticamente destituído de radicelas: Xiphinema spp.,
Tylenchorhynchus spp., Helicotylenchus spp., Belonolaimus spp. e Macroposthonia spp..
- Sistema radicular praticamente destituído de radicelas e com lesões radiculares e raízes apodrecidas: Pratylenchus spp., Xiphinema spp., Hoplolaimus spp. e Helicotylenchus spp..
- Sistema radicular com pequenas galhas: Meloidogyne spp..

Fator de Reprodução (FR) do nematóide

É necessário conhecer muito bem o Fator de Reprodução (FR) das espécies de nematóides que parasitam as cultivares de milho. O FR expressa se a cultivar é excelente, boa, fraca ou não hospedeira do nematóide presente na área de cultivo do milho em relação à população inicial presente no solo infestado por este nematóide. Isto é, o FR representa a população do nematóide no estádio final da cultura em relação à população inicial do nematóide presente na ocasião de semeadura. Consequentemente, a cultivar de milho a ser utilizada em plantios comerciais ou em rotação com a cultura da soja deve apresentar FR < 1, se possível igual ou próximo de zero.

Na avaliação da reação de 107 genótipos de milho a Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e a M. arenaria raça 2, incluindo populações de polinização aberta, linhagens, cruzamentos intervarietais e híbridos comerciais, os resultados mostraram que todos os genótipos foram bons hospedeiros desses nematóides. O FR para Meloidogyne incognita raça 1 variou de 8,5 a 24,3 e para a raça 3 variou de 5,3 a 34,8; enquanto que, para M. arenaria raça 2, variou de 16,2 a 31,9. Estes resultados mostram a existência de variabilidade genética entre os genótipos avaliados. Em outro ensaio de resistência a Meloidogyne incognita raça 3, empregando-se 29 cultivares de milho recomendadas para o estado de São Paulo, todas as cultivares mostraram-se suscetíveis ao nematóide (FR > 1).

O milho tem sido amplamente recomendado para rotação em áreas infestadas com Meloidogyne javanica. No entanto, mesmo não mostrando sintomas de galhas evidentes, algumas cultivares permitem uma acentuada multiplicação deste nematóide. Em avaliação de 36 genótipos de milho em relação à patogenicidade de M. javanica, todos apresentaram o FR < 1, indicando que estes genótipos diminuíram a população inicial deste nematóide no solo. Contudo, recentemente, em 18 genótipos de milho avaliados, todos comportaram-se como bons hospedeiros de M. javanica, com o FR variando de 2,2 a 6,9.

Controle

A utilização de cultivares resistentes é a medida mais eficiente e econômica para o controle dos nematóides que parasitam a cultura do milho. A rotação de culturas com espécie botânica não hospedeira dos nematóides presentes na área de cultivo também é recomendada. A utilização de plantas armadilha como Crotalaria spectabilis, as quais atraem e aprisionam larvas de nematóides, é especificamente recomendada para o controle de Meloidogyne spp. A espécie Crotalaria juncea possui alto potencial de multiplicação dos nematóides Pratylenchus spp. e Helicotylenchus spp., enquanto a rotação com mucuna preta (Mucuna aterrima) diminui as populações iniciais de Pratylenchus spp.. O controle químico dos nematóides parasitas do milho depende da disponibilidade de produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como da análise econômica da utilização desta tecnologia.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Milho - Doenças - Mosaico comum do milho (Sugarcane Mosaic Virus - SCMV)

Importância e distribuição

O mosaico comum do milho ocorre, praticamente, em toda região onde se cultiva o milho. Calcula-se que essa doença pode causar uma redução na produção de 50%.

Sintomas

Os sintomas caracterizam-se pela formação nas folhas de manchas verde claras com áreas verde normal, dando um aspecto de mosaico. As plantas doentes são, normalmente, menores em altura e em tamanho de espigas e de grãos.

Epidemiologia

A transmissão do mosaico comum do milho é feita por várias espécies de pulgões, sendo a mais eficiente a espécie Rhopalosiphum maidis. Os insetos vetores adquirem os vírus em poucos segundos ou minutos e os transmitem, também, em poucos segundos ou minutos. A transmissão desses vírus pode ser feita, também, mecanicamente. Mais de 250 espécies de gramíneas são hospedeiras dos vírus do mosaico comum do milho.

Controle

A utilização de cultivares resistentes é o método mais eficiente para o manejo dessa virose. A eliminação de plantas hospedeiras e a realização do plantio mais cedo podem contribuir para a redução da incidência dessa doença. A aplicação de inseticidas para o controle dos vetores não tem sido um método muito efetivo no controle do mosaico comum do milho.

Figura: Sintomas do masaico comum do milho.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Milho - Doenças - Rayado Fino (Maize Rayado Fino Virus)

Importância e distribuição

A virose Rayado Fino, também denominada risca, pode reduzir a produção de grãos em até 30% e ocorre nas principais regiões produtoras de milho. Essa doença é transmitida e disseminada pela cigarrinha Dalbullus maidis.

Sintomas

Os sintomas característicos são riscas formadas por numerosos pontos cloróticos coalescentes ao longo das nervuras, que são facilmente observados quando as folhas são colocadas contra a luz.

Epidemiologia

O vírus Rayado Fino ocorre sistemicamente na planta de milho e é transmitido de forma persistente propagativa pela cigarrinha Dalbullus maidis que, ao se alimentar de plantas doentes, adquire o vírus e o transmite para plantas sadias. O período latente entre a aquisição desse vírus e sua transmissão varia de 7 a 37 dias. A incidência e a severidade dessa doença são influenciadas por grau de suscetibilidade da cultivar, por semeaduras tardias e por população elevada de cigarrinha coincidente com fases iniciais de desenvolvimento da lavoura de milho. O milho é o principal hospedeiro tanto do vírus como da cigarrinha.

Controle

O método mais eficiente e econômico para controlar o vírus Rayado Fino é a utilização de cultivares resistentes. Práticas culturais recomendadas que reduzem a incidência dessa doença no milho são: eliminação de plantas voluntárias de milho; fazer o pousio por um período de dois a três meses sem a presença de plantas de milho; alterar a época de semeadura evitando as semeaduras tardias e sucessivas de milho. A aplicação de inseticidas para o controle dos vetores não tem sido um método muito efetivo no controle dessa virose.

Figura: Sintomas do Rayado Fino em folha de milho.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

25 julho, 2012

Governo garante compra de milho para abastecer mercado

A quantidade de milho a ser comprada e a forma da aquisição será definida após avaliação conjunta do Mapa com a Conab e o Ministério da Fazenda.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) garantirá o abastecimento de milho nas regiões deficitárias do Sul, Sudeste e Nordeste do Brasil. A operação se dará por meio da compra do produto. A decisão foi anunciada após reunião com representantes do setor nesta segunda-feira, dia 23 de julho, em Brasília.

“Com essa medida atenderemos a demanda emergencial do mercado. É importante o País saber que não faltará milho”, disse o secretário de Política Agrícola do ministério, Caio Rocha. A quantidade de milho a ser comprada e a forma da aquisição será definida após avaliação conjunta com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Ministério da Fazenda.

O encontro com o setor produtivo teve por objetivo a elaboração de uma agenda estratégica para discutir as demandas emergências e futuras da produção de milho. Os produtores discutiram também as questões relativas ao plantio e à comercialização do produto. De acordo com Rocha, o principal objetivo é estabelecer um cronograma de atividades para que o produtor possa realizar o plantio de forma eficiente e segura e depois comercializá-lo, com custos competitivos.

“Discutimos o planejamento da cultura do milho, considerando a alta do preço, os custos de produção, a logística, entre outros tópicos. Com essa troca de informações com o setor, a expectativa é de avançarmos na produção e ganharmos em produtividade”, disse o secretário.

Fonte: Ministério da Agricultura (http://www.agricultura.gov.br)

Umidade continua baixa em grande parte do país

Inmet alerta para índices abaixo de 30% no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para índices de umidade relativa do ar abaixo de 30% no centro, oeste, noroeste e norte de Minas Gerais, centro-sul do Piauí, oeste da Bahia, sul do Maranhão, Tocantins, leste de Mato Grosso, norte de Mato do Grosso do Sul, norte de São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.

Ainda segundo o Aviso Especial Nº 202, as condições meteorológicas são favoráveis à ocorrência de chuva moderada a forte, com trovoadas e rajadas de vento ocasionais no norte do Rio Grande do Sul e no centro, sul, oeste e leste de Santa Catarina. O alerta é válido para esta quarta-feira, 25 de julho.

No Centro-Oeste, a previsão é de céu parcialmente nublado com pancadas de chuvas isoladas. No Nordeste, tempo parcialmente nublado também com chuvas isoladas no litoral do Maranhão, norte do Piauí, leste do Rio Grande do Norte, centro/leste da Paraíba, de Pernambuco, em Alagoas, Sergipe e litoral norte da Bahia. Ainda segundo a meteorologia, o céu fica parcialmente nublado no oeste e norte do Amazonas, norte do Pará, Roraima e Acre e em Tocantins.

Na Região Sudeste, tempo parcialmente nublado a nublado com chuva no sudoeste, sul e sudeste de São Paulo. Nas demais áreas da região, o tempo varia de claro a parcialmente nublado.

Fonte: Ministério da Agricultura (http://www.agricultura.gov.br)

24 julho, 2012

Milho - Doenças - Enfezamentos

Importância e distribuição

Os enfezamentos do milho (doenças sistêmicas associadas a infecções dos tecidos do floema das plantas) são considerados doenças importantes para essa cultura no Brasil pelas perdas elevadas na produtividade e por sua ampla ocorrência nas principais regiões produtoras de milho. Os plantios tardios e de safrinha (iniciados a partir de meados de janeiro) contribuem para o aumento da incidência e das perdas causadas pelos enfezamentos devido ao aumento da população do inseto vetor nesta época. Esse fato pode ser agravado em sistemas de plantios sucessivos de milho.

Etiologia

Os enfezamentos são causados por patógenos pertencentes à classe dos Mollicutes, cuja transmissão é realizada de forma persistente e propagativa pela cigarrinha Dalbulus maidis. O enfezamento pálido é causado por um procarionte pertencente à espécie Spiroplasma kunkelli. O enfezamento vermelho é causado por procarionte pertencente ao gênero Phytoplasma, denominado pelo nome comum fitoplasma.

Sintomatologia

Enfezamento vermelho

Os sintomas típicos dessa doença são o avermelhamento das folhas, a proliferação de espigas, produção de espigas pequenas, perfilhamento na base da planta e nas axilas foliares, encurtamento dos entrenós, incompleto enchimento de grãos e seca precoce das plantas.

Enfezamento pálido

Os sintomas característicos são estrias esbranquiçadas irregulares na base das folhas, que se estendem em direção ao ápice. Em alguns casos, observa-se um amarelecimento das plantas e o surgimento de áreas avermelhadas nas folhas apicais. Normalmente, as plantas são raquíticas devido ao encurtamento dos entrenós, podendo haver uma proliferação de espigas pequenas e sem grãos. Quando há produção de grãos, eles são pequenos, manchados e frouxos na espiga. As plantas podem secar precocemente.

Em ambos os casos, os sintomas são mais evidentes na fase de enchimento dos grãos. A identificação precisa dos enfezamentos com base apenas nos sintomas, no campo, nem sempre é uma tarefa fácil, tornando-se necessário o uso de exames laboratoriais para a correta diagnose.

Epidemiologia

Os Molicutes, Spiroplasma kunkelli e Phytoplasma ocorrem somente em células do floema de plantas doentes de milho e são transmitidos de forma persistente e propagativa pela cigarrinha Dalbulus maidis, que, ao se alimentar em plantas doentes, adquire os molicutes e os transmitem para as plantas sadias. O período latente entre a aquisição dos patógenos e a sua transmissão pela cigarrinha varia de três a quatro semanas. A incidência e a severidade dessas doenças são influenciadas pelo grau de suscetibilidade da cultivar, pela época de semeadura (semeaduras tardias favorecem a doença), pela temperatura e umidade e pela população do inseto vetor. A ocorrência de temperatura e umidade elevadas e a alta densidade populacional de cigarrinhas, coincidentes com fases iniciais de desenvolvimento da lavoura de milho, favorecem o desenvolvimento da doença em elevada severidade. O milho é o único hospedeiro conhecido da cigarrinha Dalbulus maidis.

Controle

O controle mais eficiente dos enfezamentos consiste na utilização de cultivares resistentes. Outras práticas recomendadas para o manejo dessas doenças são: evitar semeaduras sucessivas de milho; fazer o pousio por período de dois a três meses sem a presença de plantas de milho; e alterar a época de semeadura, evitando-se a semeadura tardia da cultura. O uso de inseticidas para o controle do inseto vetor não tem apresentado eficiência satisfatória na redução da incidência dos enfezamentos.

Figura: Sintomas do enfezamento vermelho em planta de milho.
Figura: Campo apresentando elevada incidência de plantas com Enfezamento.
Figura: Sintomas do enfezamento pálido em planta de milho.
Figura: Detalhe das estrias esbranquiçadas irregulares, na base das folhas, que se estendem em direção ao ápice.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Milho - Doenças - Míldio (Peronosclerospora sorghi)

Etiologia

Existem vários organismos causadores de míldio que afetam a cultura do milho, mas o míldio comumente observado em milho, nas condições brasileiras, é causado pelo mesmo organismo que causa o míldio do sorgo, ou seja, Peronosclerospora sorghi.

Sintomas

Plantas de milho sistemicamente infectadas por P. sorghi, o agente causal do míldio em milho, caracterizam-se por serem cloróticas, algumas vezes enfezadas, podendo apresentar folhas com estrias esbranquiçadas e que não chegam a produzir sementes. A área clorótica da folha sempre inclui a base da lâmina foliar, com margens transversas bem definidas entre tecidos doentes e sadios.

Figura: Míldio em milho: sintomas típicos de deformação do pendão, aparecimento de folhas estreitas e eretas e com presença de estrias esbranquiçadas.

Epidemiologia

Na superfície das folhas infectadas, ocorre a produção de esporângios(conídios) com temperatura ótima de produção entre 24 e 26°C. Alta taxa de infecção sistêmica ocorre quando o milho é cultivado em temperaturas variando de 11 a 32°C e períodos de molhamento foliar superior a 4 horas.

Controle

As principais medidas recomendadas para o manejo do míldio na cultura do milho são: utilização de cultivares resistentes; rotação com culturas não hospedeiras; enterrio dos restos culturais para eliminação de oósporos; e tratamento de sementes com fungicidas à base de metalaxyl.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

21 julho, 2012

Milho - Doenças - Podridões de espiga e grãos ardidos

Os grãos de milho podem ser danificados por fungos em duas condições específicas, isto é, em pré-colheita (podridões de espigas com a formação de grãos ardidos) e em pós-colheita dos grãos durante o beneficiamento, o armazenamento e o transporte (grãos mofados ou embolorados). No processo de colonização dos grãos, muitas espécies de fungos, denominados toxigênicos, podem, além dos danos físicos (descolorações dos grãos, reduções nos conteúdos de carboidratos, de proteínas e de açúcares totais), produzir substâncias tóxicas denominadas micotoxinas. É importante ressaltar que a presença do fungo toxigênico não implica, necessariamente, na produção de micotoxinas, as quais estão intimamente relacionadas à capacidade de biossíntese do fungo e das condições ambientais predisponentes, como a alternância das temperaturas diurna e noturna.

Controle das podridões de espiga e de grãos ardidos

Para se obter um manejo eficiente da ocorrência das podridões de espiga e de grãos ardidos na cultura do milho, várias medidas devem ser adotadas de forma integrada, como: utilização de cultivares com maior nível de resistência aos principais patógenos que atacam as espigas, como os pertencentes aos gêneros Fusarium spp. e Stenocarpella spp.; realizar, sempre que possível, a rotação de culturas para reduzir o potencial de inóculo dos patógenos; evitar plantios sucessivos de milho; utilizar sementes sadias e densidade de plantio adequada do cultivar plantado; dar preferência a cultivares com espigas decumbentes (que viram para baixo após a maturação fisiológica); e evitar atraso na colheita. A eficiência do controle químico para manejo de grãos ardidos em milho ainda é motivo de dúvidas quanto à eficiência de produtos, à época e ao número de aplicações e sua relação com a resistência dos cultivares. A Embrapa Milho e Sorgo vem realizando trabalhos nessa linha visando a obter informações mais precisas quanto aos fatores acima mencionados.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Milho - Ecofisiologia

Germinação e Emergência
Estádio V3
Estádio V6
Estádio V9
Estádio V12
Estádio V15
Estádio V18
Pendoamento, Vt
Estádio R1, Embonecamento e Polinização
Estádio R2, Grão Bolha d'água
Estádio R3, Grão Leitoso
Estádio R4, Grão Pastoso
Estádio R5, Formação de dente
Estádio R6, Maturidade Fisiológica

Germinação e emergência

Em condições normais de campo, após a semeadura, as sementes absorvem água e começam a crescer. A radícula é a primeira a se alongar, seguida pelo coleóptilo, com plúmula incluída. Esse estádio, conhecido como VE, é atingido pela rápida elongação do mesocótilo, o qual empurra o coleóptilo em crescimento para a superfície do solo. Em condições de temperatura e umidade do ar adequadas, a emergência ocorre 4 a 5 dias após a semeadura, porém, em condições de baixa temperatura e pouca umidade, a germinação pode demorar até duas semanas ou mais. Assim que a emergência ocorre e a planta expõe a extremidade do coleóptilo, o mesocótilo pára de crescer.

O sistema radicular seminal, que são as raízes oriundas diretamente da semente, tem o seu crescimento nessa fase e a profundidade onde elas se encontram depende da profundidade da semeadura. O crescimento dessas raízes, também conhecido como sistema radicular temporário, diminui após o estádio VE e praticamente inexiste no estádio V3 (três folhas desenvolvidas).

O ponto de crescimento da planta de milho, nesse estádio, está localizado cerca de 2,5 a 4,0 cm abaixo da superfície do solo e encontra-se logo acima do mesocótilo. Essa profundidade onde se acha o ponto de crescimento é também a profundidade onde vai-se originar o sistema radicular definitivo do milho, conhecido como raízes nodais ou fasciculada. A profundidade do sistema radicular definitivo independe da profundidade da semeadura, uma vez que a emergência da planta vai depender do potencial máximo de alongamento de mesocótilo.

Figura: Duas profundidades de plantio, mostrando detalhe do alongamento do mesocótilo.

O sistema radicular nodal inicia-se, portanto, no estádio VE e o alongamento das primeiras raízes inicia-se no estádio V1, indo até o R3, após o qual muito pouco crescimento ocorre.

No milho, não é constatada a presença de fatores inibitórios ao processo de germinação, visto que, sob condições adequadas de umidade, os grãos podem germinar imediatamente após a maturidade fisiológica, mesmo ainda estando presos à espiga.

Em síntese, na germinação, ocorre a embebição da semente, com a conseqüente digestão das substâncias de reserva, síntese de enzimas e divisão celular.

Baixa temperatura do solo no plantio geralmente restringe a absorção de nutrientes do solo e causa lentidão no crescimento. Esse fato pode ser parcialmente superado por uma aplicação de pequena quantidade de fertilizante no sulco de plantio, ao lado ou abaixo da semente.

A lentidão na germinação predispõe a semente e a plântula a uma menor resistência a condições ambientais adversas, bom como ao ataque de patógenos, principalmente fungos do gênero Fusarium, Rhizoctonia, Phytium e Macrophomina . Para uma germinação e emergência mais rápidas em plantio mais cedo, deve-se optar por uma profundidade de semeadura mais rasa, onde a temperatura do solo é mais favorável. Em plantios tardios, as temperaturas do solo são geralmente adequadas em qualquer profundidade e a umidade do solo, nesse caso, é o fator limitante para rápido crescimento.

Se a irrigação está disponível ou uma chuva recente aconteceu, não há com que se preocupar. No entanto, na falta dessas situações, as camadas mais profundas do solo possuem maior teor de umidade nos plantios tardios.

Estádio V3 (três folhas desenvolvidas)

Figura: Estádio de três folhas.

O estádio de três folhas completamente desenvolvidas ocorre aproximadamente duas semanas após a emergência. Nesse estádio, o ponto de crescimento encontra-se ainda abaixo da superfície do solo e a planta ainda possui pouco caule formado. Pêlos radiculares do sistema radicular nodal estão agora em crescimento e o desenvolvimento das raízes seminais é paralisado.

Figura: Planta no estádio V3, mostrando o ponto de crescimento abaixo da superfície do solo.

Todas as folhas e espigas que a planta eventualmente irá produzir estão sendo formadas no V3. Pode-se dizer, portanto, que o estabelecimento do número máximo de grãos ou a definição da produção potencial estão sendo definidos nesse estádio. No estádio V5 (cinco folhas completamente desenvolvidas), tanto a iniciação das folhas como das espigas vai estar completa e a iniciação do pendão já pode ser vista microscopicamente na extremidade de formação do caule, logo abaixo da superfície do solo.

O ponto de crescimento, que encontra-se abaixo da superfície do solo e é bastante afetado pela temperatura do solo nos estádios iniciais do crescimento. Assim, temperaturas baixas podem aumentar o tempo decorrente entre um estádio e outro, alongando o ciclo da cultura, podendo aumentar o número total de folhas, atrasar a formação do pendão e diminuir a disponibilidade de nutrientes para a planta. Uma chuva de granizo ou vento nesse estádio vai ter muito pouco ou nenhum efeito na produção final de grãos. Disponibilidade de água nesse estádio é fundamental; por outro lado, o excesso de umidade ou encharcamento, quando o ponto de crescimento ainda encontra-se abaixo da superfície do solo, pode matar a planta em poucos dias.

O controle de plantas daninhas nessa fase é fundamental para reduzir competição por luz, água e nutrientes. Como o sistema radicular está em pleno crescimento, mostrando considerável porcentagem de pêlos absorventes e ramificações diferenciadas, operações inadequadas de cultivo (profundas ou próximas à planta) poderão afetar a densidade e a distribuição de raízes, com conseqüente redução na produtividade. Portanto, é recomendada cautela no cultivo.

Estádio V6 (seis folhas desenvolvidas)

Figura: Estádio de seis folhas completamente desenvolvidas.

Nesse estádio, o ponto de crescimento e o pendão estão acima do nível do solo, o colmo está iniciando um período de alongação acelerada. O sistema radicular nodal (fasciculado) está em pleno funcionamento e em crescimento.

Figura: Planta no estádio V6, mostrando o ponto de crescimento acima da superfície do solo.

Nesse estádio, pode ocorrer o aparecimento de eventuais perfilhos, os quais encontram-se diretamente ligados à base genética da cultivar, ao estado nutricional da planta, ao espaçamento adotado, ao ataque de pragas e às alterações bruscas de temperatura (baixa ou alta). No entanto, existem poucas evidências experimentais que demonstram a sua influência negativa na produção.

No estádio V8, inicia-se a queda das primeiras folhas e o número de fileiras de grãos é definido. Durante esse estádio, constata-se a máxima tolerância ao excesso de chuvas. No entanto, encharcamento por períodos de tempo maior que cinco dias poderá acarretar prejuízos consideráveis e irreversíveis.

Estresse hídrico nessa fase pode afetar o comprimento de internódios, provavelmente pela inibição da alongação das células em desenvolvimento, concorrendo, desse modo, para a diminuição da capacidade de armazenagem de açúcares no colmo. O déficit de água também vai resultar em colmos mais finos, plantas de menor porte e menor área foliar.

Evidências experimentais demonstram que a distribuição total das folhas expostas nesse período, mediante ocorrência de granizo, geada, ataque severo de pragas e doenças, além de outros agentes, acarretarão quedas na produção da ordem de 10 a 25%.

Períodos secos, aliados à conformação da planta, característica dessa fase (conhecida como fase do "cartucho"), conferem à cultura do milho elevada suscetibilidade ao ataque da lagarta-do-cartucho ( Spodoptera frugiperda ), exigindo constante vigilância. De V6 até o estádio V8, deverá ser aplicada a adubação nitogenada em cobertura.

Estádio V9

Nesse estádio, muitas espigas são facilmente visíveis, se for feita uma dissecação da planta. Todo nó da planta tem potencial para produzir uma espiga, exceto os últimos 6 a 8 nós abaixo do pendão. Assim, uma planta de milho teria potencial para produzir várias espigas, porém, apenas uma ou duas (caráter prolífico) espigas conseguem completar o crescimento.

Figura: Estádio V9, mostrando detalhes de várias espigas potenciais.

Nesse estádio, ocorre alta taxa de desenvolvimento de órgãos florais. O pendão inicia um rápido desenvolvimento e o caule continua alongando. A elongação do caule ocorre através dos entrenós. Após o estádio V10, o tempo de aparição entre um estádio foliar e outro vai encurtar, de quatro dias para cada dois ou três dias.

Próximo ao estádio V10, a planta de milho inicia um rápido e contínuo crescimento, com acumulação de nutrientes e peso seco, os quais continuarão até os estádios reprodutivos. Há uma grande demanda no suprimento de água e nutrientes para satisfazer as necessidades da planta.

Estádio V12

O número de óvulos (grãos em potencial) em cada espiga, assim como o tamanho da espiga, são definidos em V12, quando ocorre perda de duas a quatro folhas basais. Pode-se considerar que, nessa fase, inicia-se o período mais crítico para a produção, o qual estende-se até a polinização.

O número de fileiras de grãos na espiga já foi estabelecido, no entanto, a determinação do número de grãos/fileira só será definida cerca de uma semana antes do florescimento, em torno do estádio V17.

Em V12, a planta atinge cerca de 85% a 90% da área foliar, e observa-se o início de desenvolvimento das raízes adventícias ("esporões").

Devido ao número de óvulos e ao tamanho da espiga serem definidos nessa fase, a deficiência de umidade ou nutrientes pode reduzir seriamente o número potencial de sementes, assim como o tamanho das espigas a serem colhidas. O potencial desses dois fatores de produção está também relacionado com o período de tempo disponível para o estabelecimento deles, o qual corresponde ao período de V10 a V17. Assim, genótipos precoces, geralmente, nesses estádios, possuem um período mais curto de tempo e usualmente têm espigas menores que as dos genótipos tardios. Uma maneira de compensar essa desvantagem dos precoces seria aumentar a densidade de plantio.

Estádio V15

Esse estádio representa a continuação do período mais importante e crucial para o desenvolvimento da planta, em termos de fixação do rendimento. Desse ponto em diante, um novo estádio foliar ocorre a cada um ou dois dias. Estilos-estigmas iniciam o crescimento nas espigas.

Em torno do estádio V17, as espigas atingem um crescimento tal que suas extremidades já são visíveis no caule, assim como a extremidade do pendão já pode também ser observada.

Estresse de água no período de duas semanas antes até duas semanas após o florescimento vai causar grande redução na produção de grãos. Porém, a maior redução na produção poderá ocorrer com déficit hídrico na emissão dos estilos-estigmas (início de R1). Isso é verdadeiro também para outros tipos de estresse como deficiência de nutrientes, alta temperatura ou granizo. O período de quatro semanas em torno do florescimento é o mais importante para a irrigação.

Estádio V18

É possível observar que os "cabelos" ou estilos-estigmas dos óvulos basais alongam-se primeiro em relação aos "cabelos" dos óvulos da extremidade da espiga. Raízes aéreas, oriundas dos nós acima do solo, estão em crescimento nesse estádio. Essas raízes contribuem na absorção de água e nutrientes.

Em V18, a planta do milho encontra-se a uma semana do florescimento e o desenvolvimento da espiga continua em ritmo acelerado.

Estresse hídrico nesse período pode afetar mais o desenvolvimento do óvulo e espiga que o desenvolvimento do pendão. Com esse atraso no crescimento da espiga, pode haver problemas na sincronia entre emissão de pólen e recepção pela espiga. Caso o estresse seja severo, ele pode atrasar a emissão do "cabelo" até a liberação do pólen terminar, ou seja, os óvulos que porventura emitirem o "cabelo" após a emissão do pólen não serão fertilizados e, por conseguinte, não contribuirão para o rendimento.

Híbridos não prolíficos produzirão cada vez menos grãos com o aumento da exposição ao estresse, porém, tendem a render mais que os prolíficos em condições não estressantes. Os prolíficos, por sua vez, tendem a apresentar rendimentos mais estáveis em condições variáveis de estresse, uma vez que o desenvolvimento da espiga é menos inibido pelo estresse.

Pendoamento, VT

Esse estádio inicia-se quando o último ramo do pendão está completamente visível e os "cabelos" não tenham ainda emergido. A emissão da inflorescência masculina antecede de dois a quatro dias a exposição dos estilos-estigmas. No entanto, 75% das espigas devem apresentar seus estilos-estigmas expostos, após o período de 10 a 12 dias posterior ao aparecimento do pendão. O tempo decorrente entre VT e R1 pode variar consideravelmente, dependendo do híbrido e das condições ambientais. A perda de sincronismo entre a emissão dos grãos de pólen e a receptividade dos estilos-estigmas da espiga concorre para o aumento da porcentagem de espigas sem grãos nas extremidades. Em condições de campo, a liberação do pólen geralmente ocorre nos finais das manhãs e no início das noites. Nesse estádio, a planta atinge o máximo desenvolvimento e crescimento. Estresse hídrico e temperaturas elevadas (acima de 35 o C) podem reduzir drasticamente a produção. Um pendão de tamanho médio chega a ter 2,5 milhões de grãos de pólen, o que equivale dizer que a espiga em condições normais dificilmente deixará de ser polinizada pela falta de pólen, desde que o número de óvulos esteja em torno de 750 a 1000.

Figura: Estádio de pendoamento da planta.

A planta apresenta alta sensibilidade ao encharcamento nessa fase. O excesso de água pode contribuir inclusive com a inviabilidade dos grãos de pólen.

A falta de água nesse período, além de afetar o sincronismo pendão-espiga, pode reduzir a chance de aparecimento de uma segunda espiga em materiais prolíficos.

Nos estádios de VT a R1, a planta de milho é mais vulnerável às intempéries da natureza que qualquer outro período, devido ao pendão e todas as folhas estarem completamente expostas. Remoção de folha nesse estádio por certo resultará em perdas na colheita.

O período de liberação do pólen estende-se por uma a duas semanas. Durante esse tempo, cada "cabelo" individual deve emergir e ser polinizado para resultar num grão.

Estádio R1, Embonecamento e polinização

Esse estádio é iniciado quando os estilos-estigmas estão visíveis, para fora das espigas. A polinização ocorre quando o grão de pólen liberado é capturado por um dos estilos-estigmas. O grão de pólen, uma vez em contato com o "cabelo", demora cerca de 24 horas para percorrer o tubo polínico e fertilizar o óvulo. Geralmente, o período requerido para todos os estilos-estigmas em uma espiga serem polinizados é de dois a três dias. Os "cabelos" da espiga crescem cerca de 2,5 a 4,0 cm por dia e continuam a alongar-se até serem fertilizados.

Figura: Estádio R1, estilos-estigmas captando grãos de pólen.

O número de óvulos que será fertilizado é determinado nesse estádio. Óvulos não fertilizados evidentemente não produzirão grãos.

Estresse ambiental, nessa fase, especialmente hídrico, causa baixa polinização e baixa granação da espiga, uma vez que, sob seca, tanto os "cabelos" como os grãos de pólen tendem à dissecação. Não se deve descuidar de insetos com a lagarta-da-espiga, que se alimentam dos "cabelos". Deve-se combater essas pragas, caso haja necessidade. A absorção de potássio nessa fase está completa, enquanto nitrogênio e fósforo continuam sendo absorvidos.

A liberação do grão de pólen pode iniciar ao amanhecer, estendendo-se até o meio-dia. No entanto, esse processo raramente exige mais de quatro horas para sua complementação. Ainda sob condições favoráveis, o grão de pólen pode permanecer viável por até 24 horas. Sua longevidade, entretanto, pode ser reduzida quando submetido a baixa umidade e altas temperaturas.

O estabelecimento do contato direto entre o grão de pólen e os pêlos viscosos do estigma estimula a germinação do primeiro, dando origem a uma estrutura denominada de tubo polínico, que é responsável pela fecundação do óvulo inserido na espiga. A fertilização ocorre de 12 a 36 horas após a polinização, período esse variável em função de alguns fatores envolvidos no processo, tais como teor de água, temperatura do ar, ponto de contato e comprimento do estilo-estigma.

Assim, o número de óvulos fertilizados apresenta estreita correlação com o estado nutricional da planta, com a temperatura, bem como com a condição de umidade contida no solo e no ar.

Evidencia-se, portanto, a decisiva influência do ambiente nessa etapa de desenvolvimento, recomendando-se criterioso planejamento da cultura, com referência principal à época de semeadura e à escolha da cultivar, de forma a garantir as condições climáticas favoráveis exigidas pela planta nesse estádio.

A escolha do genótipo para uma determinada região, assim como a época de semeadura, deve ser fundamentada em fatores como finalidade da produção, disponibilidade de calor e água, ocorrência de veranicos durante o ciclo, bem como no nível tecnológico a ser adotado, entre outros.

Estádio R2, Grão bolha d'água

Os grãos aqui apresentam-se brancos na aparência externa e com aspectos de uma Bolha d'água. O endosperma, portanto, está com uma coloração clara, assim como o seu conteúdo, que é basicamente um fluido, cuja composição são açúcares. Embora o embrião, esteja ainda desenvolvendo-se vagarosamente nesse estádio, a radícula, o coleoptilo e a primeira folha embrionária já estão formados. Assim, dentro do embrião em desenvolvimento já encontra-se uma planta de milho em miniatura. A espiga está próxima de atingir seu tamanho máximo. Os estilos-estigmas, tendo completado sua função no florescimento, estão agora escurecidos e começando a secar.

Figura: Grão no estádio R2, conhecidos como Bolha d'água.

A acumulação de amido inicia-se nesse estádio, com os grãos experimentando um período de rápida acumulação de matéria seca, N e P continuam sendo absorvidos e a realocação desses nutrientes das partes vegetativas para a espiga tem início nesse estádio. A umidade é de 85% nos grãos.

Estádio R3, Grão leitoso

Essa fase é iniciada normalmente 12 a 15 dias após a polinização. O grão apresenta-se com uma aparência amarela e, no seu interior, um fluido de cor leitosa. Este açúcares são oriundos da translocação dos fotoassimilados presentes nas folhas e no colmo, para a espiga e grãos em formação. A eficiência dessa translocação, além de ser importante para a produção, é extremamente dependente de água. Embora, nesse estádio, o crescimento do embrião ainda seja considerado lento, ele já pode ser visto caso haja uma dissecação. Este estádio é conhecido como aquele em que ocorre a definição da densidade dos grãos.

Os grãos, nessa fase, apresentam rápida acumulação de matéria seca e com cerca de 80% de umidade, sendo que as divisões celulares dentro do endosperma apresentam-se essencialmente completas. O crescimento a partir daí é devido à expansão e ao enchimento das células do endosperma com amido.

Um estresse hídrico nessa fase, embora menos crítico que na fase anterior, pode afetar a produção. Embora, nesse período, a planta deva apresentar considerável teor de sólidos solúveis prontamente disponíveis, objetivando a evolução do processo de formação de grãos, a fotossíntese mostra-se imprescindível. Em termos gerais, considera-se como importante o caráter condicionador de produção a extensão da área foliar que permanece fisiologicamente ativa após a emergência da espiga.

Essa fase é crítica para o consumo do milho verde, pois representa a época de colheita. O descarregamento e transporte de açúcares para os grãos em desenvolvimento se dá via floema; a sacarose, penetrando no apoplasto, é dividida em frutose e glicose pela enzima invertase ácida.

Na verdade, os estádios de desenvolvimento da planta de milho para o consumo verde, em "R3" ou "Grão leitoso" não diferenciam-se do desenvolvimento da planta para consumo de grãos secos. Entretanto, é preciso ficar atento para as características exigidas pelo mercado consumidor dessa modalidade de milho, principalmente quanto à cultivar a ser utilizada, uma vez, que, dependendo do ciclo, o momento de colheita (R3) é variável, assim como o tempo de permanência no campo na fase de grão leitoso apto para colheita.

Figura: Estádio R3 ou grão leitoso, com umidade em torno de 80%.

Estádio R4, Grão pastoso

Esse estádio é alcançado com cerca de 20 a 25 dias após a emissão dos estilos-estigmas; os grãos continuam desenvolvendo-se rapidamente, acumulando amido. O fluido interno dos grãos passa de um estado leitoso para uma consistência pastosa e as estruturas embriônicas de dentro dos grãos encontram-se já totalmente diferenciadas. A deposição de amido é bastante acentuada, caracterizando, desse modo, um período exclusivamente destinado ao ganho de peso por parte do grão. Em condições de campo, tal etapa do desenvolvimento é prontamente reconhecida, pois, quando os grãos presentes são submetidos à pressão imposta pelos dedos, mostram-se relativamente consistentes, embora ainda possam apresentar pequena quantidade de sólidos solúveis, cuja presença em abundância caracteriza o estádio R3 (grão leitoso).

Figura: Grãos no estádio R4, pastoso.

Os grãos encontram-se com cerca de 70% de umidade e já acumularam cerca da metade do peso que eles atingirão na maturidade. A ocorrência de adversidades climáticas, sobretudo falta de água, resultará numa maior porcentagem de grãos leves e pequenos, o que comprometeria definitivamente a produção.

Estádio R5, Formação de dente

Esse período é caracterizado pelo aparecimento de uma concavidade na parte superior do grão, comumente designada de "dente", coincide normalmente com o 36 o dia após o princípio da polinização. Nessa etapa, os grãos encontram-se em fase de transição do estado pastoso para o farináceo. A divisão desses estádios é feita pela chamada linha divisória do amido ou linha de leite. Essa linha aparece logo após a formação do dente e, com a maturação, vem avançando em direção à base do grão. Devido à acumulação do amido, acima da linha é duro e abaixo é macio. Nesse estádio, o embrião continua desenvolvendo-se, sendo que, além do acentuado acréscimo de volume experimentado pelo endosperma, mediante o aumento do tamanho das células, observa-se também a completa diferenciação da radícula e das folhas embrionárias no interior dos grãos.

Figura: Estádio R5, formação de dente.
Figura: Detalhe do desenvolvimento da linha de leite.

Alguns genótipos do tipo "duro" não formam dente, daí, nos referidos materiais, ser mais difícil notar esse estádio de ser notado, podendo apenas relacioná-lo ao aumento gradativo da dureza dos grãos.

Estresse ambiental nessa fase pode antecipar o aparecimento da formação da camada preta, indicadora da maturidade fisiológica. A redução na produção, nesse caso, seria relacionada ao peso dos grãos e não ao número de grãos. Os grãos nesse estádio apresentam-se com cerca de 55% de umidade.

Materiais destinados a silagem devem ser colhidos nesse estádio, pois as plantas apresentam em torno de 33 a 37% de matéria seca. O milho colhido nessa fase apresenta as seguintes vantagens: apesar do decréscimo na produção de matéria verde, obtém-se significativo aumento na produção de matéria seca por área; decréscimo nas perdas de armazenamento, pela diminuição do efluente, e aumento significativo no consumo voluntário da silagem produzida.

Estádio R6, Maturidade fisiológica

Esse é o estádio em que todos os grãos na espiga alcançam o máximo peso seco e vigor, ocorre cerca de 50 a 60 dias após a polinização. A linha do amido já avançou até a espiga e a camada preta já foi formada. Essa camada preta ocorre progressivamente da ponta da espiga para a base. Nesse estádio, além da paralisação total do acúmulo de matéria seca nos grãos, acontece também o início do processo de senescência natural das folhas das plantas, as quais gradativamente começam a perder a sua coloração verde característica.

Figura: Detalhe do desenvolvimento da camada preta (ponto da maturidade fisiológica).

O ponto de maturidade fisiológica caracteriza o momento ideal para a colheita, ou ponto de máxima produção, com 30 a 38% de umidade, podendo variar entre híbridos. No entanto, o grão não está ainda em condições de ser colhido e armazenado com segurança, uma vez que deveria estar com 13 a 15% de umidade, para evitar problemas com a armazenagem. Com cerca de 18 a 25% de umidade, a colheita já pode acontecer, desde que o produto colhido seja submetido a uma secagem artificial antes de ser armazenado.

A qualidade dos grãos produzidos pode ser avaliada pela percentagem de grãos ardidos, que interfere notadamente na destinação do milho em qualquer segmento da cadeia de consumo. A ocorrência de grãos ardidos está diretamente relacionada ao híbrido de milho e ao nível de empalhamento a que estão submetidas as suas espigas. Ainda de forma indireta, a presença de pragas, adubações desequilibradas e período chuvoso no final do ciclo, atraso na colheita e incidência de algumas doenças podem influir no incremento do número de grãos ardidos.

A partir do momento da formação da camada preta, que nada mais é do que a obstrução dos vasos, rompe-se o elo de ligação da planta-mãe e o fruto, passando o mesmo a apresentar vida independente.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Milho - Doenças - Micotoxinas

Micotoxinas são metabólitos secundários tóxicos produzidos por fungos, tanto na fase de pré-colheita (ainda no campo), quanto na fase de armazenamento dos grãos. As principais micotoxinas encontradas nos grãos de milho são aflotoxinas (Aspergillus flavus e A. parasiticus), fumonizinas (Fusarium moniliforme), zearalenona (Fusarium graminearum), ocratoxina A (Aspergillus spp. e Penicillium spp.) e desoxinivalenol (F. graminearum). É importante ressaltar que a presença dos fungos toxigênicos não implica, necessariamente, na existência de micotoxinas nos grãos.

A produção de micotoxinas depende, além da capacidade de biossíntese dos fungos, das condições de ambiente, como a alternância de temperaturas diurna e noturna. Os fungos do gênero Fusarium spp. têm uma faixa de temperatura ótima para o seu desenvolvimento situada entre 20 e 25oC. Contudo, suas toxinas são produzidas em condições de baixas temperaturas, o que indica que esses fungos produzem as toxinas quando submetidos a choque térmico, principalmente com alternância das temperaturas diurna e a noturna. Para a produção de zearalenona, a temperatura ótima está em torno de 10-12°C.

As doenças causadas pela ingestão de alimentos (grãos, rações, carnes etc.) contaminados com micotoxinas são denominadas micotoxicoses. As micotoxicoses podem causar, tanto em animais quanto no homem, danos como redução no crescimento, interferência no funcionamento de órgãos vitais do organismo, produção de tumores malignos etc.. Dentre as micotoxinas, as aflotoxinas são as que possuem maior potencial de danos à saúde humana devido à sua elevada toxicidade e à ampla ocorrência, além de serem consideradas como de elevado potencial carcinogênico. Outro grupo de micotoxinas que merece destaque é o das fumonisinas, que têm sido relacionadas à ocorrência de câncer de esôfago em humanos.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Milho - Doenças - Grãos ardidos

O termo grãos ardidos refere-se aos grãos produzidos em espigas que sofreram um processo de podridão. São considerados ardidos os grãos que apresentam, pelo menos, um quarto de sua superfície com descolorações variando de marrom claro, marrom escuro, roxo, vermelho claro a vermelho escuro. Os principais patógenos causadores de grãos ardidos são Stenocarpela maydis (=Diplodia maydis), Stenocarpela macrospora (=Diplodia macrospora), Fusarium moniliforme, F. subglutinans e Gibberella zeae. Ocasionalmente, no campo, há produção de grãos ardidos pelos fungos do gênero Penicillium spp. e Aspergillus spp. Os fungos G. zeae e S. maydis são mais frequentes nos estados do Sul do Brasil e F. moniliforme, F. subglutinans e Diplodia macrospora nas demais regiões produtoras de milho. Como padrão de qualidade, tem-se adotado, em algumas agroindústrias, a tolerância máxima de 6% de grãos ardidos em lotes comerciais de milho.

Figura: Comparação de amostras de grãos de milho ardidos (A) e sadios (B).

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA

Milho - Doenças - Podridão por Pythium (Pythium aphanidermatum)

Etiologia

É causada pelo fungo Pythium aphanidermatum. Essa podridão não é tão comum quanto aquelas causadas por C. graminicola, Stenocarpella spp. e Fusarium spp. e ocorre em condições de umidade excessiva no solo.

Sintomas

Os sintomas iniciais dessa podridão são caracterizados por lesões do tipo aquosa semelhantes às causadas por bactérias. A diferença é que, nesse caso, a podridão permanece, tipicamente, restrita ao primeiro entrenó acima do solo (Figura 18), enquanto que nas bacterioses podem atingir vários entrenós. Inicialmente, nota-se uma alteração da cor dos tecidos, variando de marrom claro a escuro e com aspecto encharcado. Com a evolução dos sintomas, os tecidos internos do colmo se desintegram, resultando num estrangulamento do colmo na região. As plantas, antes de tombarem, geralmente sofrem uma torção característica. Plantas tombadas permanecem verdes por algum tempo, visto que os vasos lenhosos permanecem intactos. Esse patógeno pode atacar tecidos novos, verdes e fisiologicamente ativos.

Figura: Sintomas da podridão do colmo causada por Pythium aphanidermatum.

Epidemiologia

Esse fungo sobrevive no solo, apresenta elevado número de espécies vegetais hospedeiras e é capaz de infectar plantas de milho jovens e vigorosas antes do florescimento. Essa podridão é favorecida por temperaturas em torno de 32oC e alta umidade no solo, proporcionada por prolongados períodos de chuva ou irrigação excessiva.

Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA