Mais de 40 espécies de 12 gêneros de nematóides têm sido citadas como parasitas de raízes de milho em todas as áreas do mundo onde este cereal é
cultivado. No Brasil, as espécies mais importantes, devido à patogenicidade, à
distribuição e à alta densidade populacional, são Pratylenchus brachyurus,
Pratylenchus zeae, Helicotylenchus dihystera, Criconemella spp.,
Meloidogyne spp. e Xiphinema spp. Resultados de pesquisa demonstram que o
controle químico de nematóides na cultura do milho permitiu o aumento da
produção de grãos em 39% em área naturalmente infestada por Pratylenchus
zeae e Helicotylenchus dihystera.
A ocorrência de nematóides do gênero Meloidogyne parasitando o milho e causando prejuízos significativos em condições naturais foi relatada no Brasil em 1986, sendo identificada a espécie Meloidogyne incognita raça 3 em raízes
de plantas de milho que não se desenvolveram. Contudo, o milho está entre
as culturas mais recomendadas para a rotação em áreas infestadas por
Meloidogyne spp.. Atualmente, devido à necessidade de se controlar o
nematóide do cisto (Heterodera glycines) na cultura da soja, o milho tem sido
uma alternativa para a rotação de cultura, pois não é parasitado por este
nematóide. Por outro lado, estas duas culturas podem ser parasitadas por
nematóides do gênero Meloidogyne, notadamente por M. incognita e M.
javanica.
Sintomas
As injúrias por nematóides variam com o gênero e a população do nematóide envolvido, as condições do solo e a idade da planta de milho. Os sistemas
radiculares parasitados por nematóides são menos eficientes na absorção de
água e nutrientes da solução do solo. Consequentemente, uma planta
parasitada tem seu crescimento reduzido, apresenta sintomas de deficiências
minerais e a produção é reduzida. Plantas atacadas por nematóides
apresentam, em sua parte aérea, os seguintes sintomas: enfezamento e
cloroses; sintomas de murcha durante as horas mais quentes do dia, com
recuperação à noite; espigas pequenas e mal granadas. Esses sintomas dão à
cultura do milho uma aparência de irregularidade, podendo aparecer em
reboleiras ou em grandes extensões. Quando esses sintomas, observados na
parte aérea, são causados por nematóides, as raízes apresentam os seguintes sintomas:
- Encurtamento e engrossamento das raízes: Trichodorus spp., Longidorus spp. e Belonolaimus spp..
- Sistema radicular praticamente destituído de radicelas: Xiphinema spp.,
Tylenchorhynchus spp., Helicotylenchus spp., Belonolaimus spp. e Macroposthonia spp..
- Sistema radicular praticamente destituído de radicelas e com lesões radiculares e raízes apodrecidas: Pratylenchus spp., Xiphinema spp., Hoplolaimus spp. e Helicotylenchus spp..
- Sistema radicular com pequenas galhas: Meloidogyne spp..
Fator de Reprodução (FR) do nematóide
É necessário conhecer muito bem o Fator de Reprodução (FR) das espécies de nematóides que parasitam as cultivares de milho. O FR expressa se a cultivar é excelente, boa, fraca ou não hospedeira do nematóide presente na área de
cultivo do milho em relação à população inicial presente no solo infestado por
este nematóide. Isto é, o FR representa a população do nematóide no estádio
final da cultura em relação à população inicial do nematóide presente na
ocasião de semeadura. Consequentemente, a cultivar de milho a ser utilizada
em plantios comerciais ou em rotação com a cultura da soja deve apresentar
FR < 1, se possível igual ou próximo de zero.
Na avaliação da reação de 107 genótipos de milho a Meloidogyne incognita
raças 1, 2, 3 e 4 e a M. arenaria raça 2, incluindo populações de polinização
aberta, linhagens, cruzamentos intervarietais e híbridos comerciais, os
resultados mostraram que todos os genótipos foram bons hospedeiros desses
nematóides. O FR para Meloidogyne incognita raça 1 variou de 8,5 a 24,3 e
para a raça 3 variou de 5,3 a 34,8; enquanto que, para M. arenaria raça 2,
variou de 16,2 a 31,9. Estes resultados mostram a existência de variabilidade
genética entre os genótipos avaliados. Em outro ensaio de resistência a
Meloidogyne incognita raça 3, empregando-se 29 cultivares de milho
recomendadas para o estado de São Paulo, todas as cultivares mostraram-se
suscetíveis ao nematóide (FR > 1).
O milho tem sido amplamente recomendado para rotação em áreas infestadas
com Meloidogyne javanica. No entanto, mesmo não mostrando sintomas de
galhas evidentes, algumas cultivares permitem uma acentuada multiplicação
deste nematóide. Em avaliação de 36 genótipos de milho em relação à
patogenicidade de M. javanica, todos apresentaram o FR < 1, indicando que
estes genótipos diminuíram a população inicial deste nematóide no solo.
Contudo, recentemente, em 18 genótipos de milho avaliados, todos
comportaram-se como bons hospedeiros de M. javanica, com o FR variando de
2,2 a 6,9.
Controle
A utilização de cultivares resistentes é a medida mais eficiente e econômica para o controle dos nematóides que parasitam a cultura do milho. A rotação
de culturas com espécie botânica não hospedeira dos nematóides presentes na
área de cultivo também é recomendada. A utilização de plantas armadilha
como Crotalaria spectabilis, as quais atraem e aprisionam larvas de
nematóides, é especificamente recomendada para o controle de Meloidogyne
spp. A espécie Crotalaria juncea possui alto potencial de multiplicação dos
nematóides Pratylenchus spp. e Helicotylenchus spp., enquanto a rotação
com mucuna preta (Mucuna aterrima) diminui as populações iniciais de
Pratylenchus spp.. O controle químico dos nematóides parasitas do milho
depende da disponibilidade de produtos registrados no Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como da análise econômica da
utilização desta tecnologia.
Fonte: Sistemas de Produção EMBRAPA